Segundo ex-funcionários
ouvidos sob anonimato, os jovens eram tratados como propriedade do
influenciador, que decidia quando podiam comer, dormir e até usar o celular.
“Presenciei muita festa, bebida, e a bebida era à vontade para todo mundo.
Todos bebiam, sem restrição”, revelou um ex-funcionário.
Hytalo e o marido são
investigados pelo Ministério Público da Paraíba pela suspeita de explorar
menores de idade nas redes sociais por meio de vídeos virais que mostram
menores de forma sexualizada, seminuas e ingerindo bebidas alcoólicas em
festas.
“Inclusive já teve filmagens
que ele fez pra postar na rede social, que as crianças estavam indo pra escola
e, após desligar as câmeras, elas não iam pra escola. Ou, se acontecesse de
eles irem para a escola e surgir alguma agenda ou algo que precisasse de um
deles, eles iriam lá simplesmente para pegar a criança”, disse um dos
ex-funcionários ao Fantástico.
De acordo com a denúncia do
Ministério Público, o influencer pagava às famílias dos adolescentes cerca de
três salários mínimos para abrigá-los em sua casa. Os menores, sob a tutela de
Hytalo, eram chamados de “cria” pelo influenciador. Ainda segundo o MP, o
influencer apreendia os celulares das vítimas para garantir que apenas o seu
perfil nas redes sociais fizesse postagens, estratégia que concentrava a
audiência em suas plataformas.
Pelo Código Penal brasileiro,
caracteriza-se como tráfico de pessoas quando a vítima é aliciada, comprada ou
acolhida por outra pessoa, com propósitos que podem incluir remoção de órgãos
servidão, submissão a trabalho análogo à escravidão, adoção ilegal ou
exploração sexual.
Denúncia feita por Felca
O tema da adultização entre
crianças e adolescentes nas redes sociais ganhou força depois que o
influenciador digital Felca publicou, no último dia 6, um vídeo com denúncias
após observar o crescimento desse tipo de conteúdo nas redes sociais – um
assunto, segundo ele, “pouco falado por quem tem alcance”. Felca tem expressiva
presença nas redes sociais, contando atualmente com 17,7 milhões de seguidores
no Instagram, 8,45 milhões no YouTube e 870 mil na rede X (ex-Twitter).
Após a publicação do vídeo, o
assunto também entrou em discussão entre parlamentares e autoridades, que,
pressionados a reagir diante de um tema tão importante, prometem definir com
urgência uma proposta de regulamentação das redes sociais. Em 50 minutos, o
youtuber mostrou na prática como o algoritmo funciona para entregar conteúdos
com menores para pedófilos e entrevistou uma psicóloga especializada para falar
sobre o perigo da exposição nas redes sociais para as crianças e adolescentes.
O vídeo tem mais de 43 milhões de visualizações.
As denúncias apresentadas por
Felca apontaram que o influenciador Hytalo dos Santos sexualiza os conteúdos
envolvendo os menores, publicados nas redes, além de manter uma convivência
apontada como imprópria com os adolescentes em sua casa.
Estadão Conteúdo
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