A mudança foi feita pela
Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), após atuação do governo
federal, por meio do ministro do Turismo, Celso Sabino. Em nota, a organização
informou que, após análise técnica, foi publicada uma errata para incorporar a
culinária paraense. O detalhamento da oferta de alimentos no evento será
realizado após a seleção dos fornecedores.
A nota ressalta ainda que o
edital busca valorizar, na hora da seleção, empreendimentos coletivos, como
cooperativas, associações, redes solidárias e grupos produtivos locais, além
de grupos historicamente vinculados à produção de alimentos sustentáveis e
à sociobiodiversidade, como povos indígenas, comunidades quilombolas, mulheres
rurais, juventudes do campo e demais povos e comunidades tradicionais.
O edital estabelece que ao
menos 30% do valor total dos insumos adquiridos sejam provenientes da
agricultura familiar.
Polêmica
Nesta semana, a OEI publicou o
edital para selecionar os estabelecimentos que atuarão na COP30. Ele
listava, em uma tabela, alimentos e bebidas considerados com alto risco de
contaminação e que, portanto, estariam proibidos nos espaços dos eventos da
COP30. Entre esses alimentos estavam o açaí, o tucupi, sucos de
fruta in natura e a maniçoba.
A proibição de alimentos
típicos da culinária paraense gerou polêmica e diversas críticas. O chef
Saulo Jennings foi um dos que criticou o edital. “É um crime contra nosso povo,
contra a nossa gastronomia, contra a comida que alimentou nossa ancestralidade
toda, a gente só sobrevive por causa desse alimento”, afirmou em publicação nas
redes sociais.
Saulo Jennings é o
fundador do restaurante Casa do Saulo, que além de ter unidades no Pará, tem
também em São Paulo e no Rio de Janeiro, todos voltados para a culinária
paraense. O chef foi o primeiro a ser escolhido como Embaixador
Gastronômico da ONU Turismo no mundo. Em 2023, na COP28, em Dubai, ele conta
que cozinhou na abertura do evento e que serviu o tacacá, prato paraense feito
com tucupi.
“Quer dizer que dentro de casa
não posso usar nosso alimento? Faz mal? Nosso povo tem uma imunidade diferente
do resto das pessoas do mundo inteiro? Porque só a gente sobrevive comendo
esses alimentos. Quer dizer que nosso governo não tem órgãos fiscalizadores?
Tem e funciona. Tem Vigilância Sanitária, temos todas as regras de
alimentação”, afirmou.
Ele ressaltou que a COP é
uma oportunidade para fortalecer o turismo gastronômico na região, gerando mais
emprego e renda. “Quem vier e comer, vai sair daqui apaixonado”,
garantiu.
Seleção
Na nota publicada, a
organização da COP esclarece que as recomendações do edital são exclusivas para
espaços da conferência, não abrangendo outros locais do município de Belém ou
do estado do Pará.
Diz ainda que a definição do
cardápio da COP30 é de responsabilidade da Convenção-Quadro das Nações Unidas
sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), assim como possíveis orientações sobre
produtos alimentícios, e atende a critérios da Vigilância Sanitária nacional e
subnacional.
Os cardápios apresentados
poderão sofrer ajustes para atender aos critérios do edital, como a diversidade
de alimentos e a segurança dos participantes da conferência.
Na próxima terça-feira (19),
será realizada um audiência pública para ouvir candidatos à operação de
alimentação da COP30.
Agência Brasil

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