Nesta quinta-feira (21),
representantes do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed) e Conselho Regional de
Medicina do Estado (Cremern) fizeram uma visita ao CTQ para entender a real
situação. Após a visita, o coordenador do Centro de Queimados falou, em entrevista
coletiva, que o quadro é dramático. Além da ausência de um espaço próprio para
atendimento, faltam profissionais para dar conta da alta demanda. “É uma
situação de guerra, extremamente delicada e nunca antes vista, onde a gente
precisa se virar com o que tem. Os pacientes ficam em um corredor, em leitos de
enfermaria, que não são adequados. O ideal é que o atendimento aconteça em um
local fechado, mas nós não temos onde fazer nosso ambulatório nem a
reabilitação”, afirmou Marco Almeida.
O secretário Alexandre Motta
esclareceu que a empresa vencedora da licitação para a reforma do CTQ não
cumpriu prazos determinados em contrato e que, por isso, foi necessário o
distrato. Não há previsão para que a obra seja retomada. A Sesap prevê a contratação
de uma nova empresa dentro de um mês e meio, sem a necessidade de uma nova
licitação para poder agilizar o recomeço dos serviços. “No dia 15 de abril
demos entrada em um processo interno para a dispensa de licitação. Esse trâmite
ocorreu e a dispensa foi assinada na última quarta-feira (20) com a perspectiva
de uma nova contratação em aproximadamente 45 dias. O passo seguinte vai ser a
obra em si, porque parte dos recursos, vindos de emendas, já estão alocados”,
pontuou Motta.
Sobre a falta de
profissionais, Alexandre Motta informou que a Sesap está com um concurso em
fase de homologação para absorver 2 mil profissionais de nível médio, dos quais
parte será direcionada ao quadro da unidade.
“A falta de profissionais está
presente em todos os hospitais da rede e também em outros setores do Walfredo.
Não sei precisar de quanto é a vacância no CTQ, mas o Conselho Regional de
Enfermagem vai se juntar à Sesap para fazer esse dimensionamento e a gente
espera resolver essa questão o mais breve possível”, falou.
“Fundo do poço”
As vistorias no Walfredo
Gurgel não são as primeiras feitas pelo Cremern recentemente nos hospitais da
rede estadual. Na quarta-feira, o Conselho esteve no Hospital João Machado
depois de a TRIBUNA DO NORTE divulgar o conteúdo de um relatório interno da Comissão
de Controle de Infecção Hospitalar da unidade. Marcos Jácome, presidente do
Cremern, defendeu que haja celeridade na reforma do CTQ e na recomposição do
quadro de pessoal do Walfredo Gurgel
“Estruturalmente, o setor está
no fundo do poço. E temos também uma dificuldade de profissionais para
trabalhar tanto na parte de enfermagem quanto na parte médica. Há uma
deficiência geral. É muito importante que esse quadro se restabeleça
rapidamente para voltar a oferecer à sociedade um ambiente de tratamento
adequado para pessoas queimadas graves”, sublinhou.
Geraldo Ferreira, presidente
do Sinmed, disse que a falta de recursos e infraestrurura aumenta os riscos de
mortalidade. Segundo ele, faltam, além de médicos e enfermeiros,
fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. “Só em relação à parte médica, o
setor precisa de, pelo menos, seis profissionais”, falou. O presidente do
Sinmed comentou que deve fazer uma nova visita ao Walfredo, ainda sem data
definida, para apurar denúncias de dificuldade de insumos, superlotação no
centro cirúrgico, bem como a suspensão de cirurgias eletivas por falta de
pagamento a fornecedores.
“Possivelmente, essa nova
visita acontecerá no início da próxima semana. A gente tem denúncias de que as
salas ficam com pacientes internados, o que não é permitido, por causa da
superlotação do centro cirúrgico, do Centro de Recuperação Pós-Operatório (CRO)
e das UTIs. Hoje [quinta-feira] na visita notamos que os corredores do hospital
estão esvaziados, mas a gente sabe que esse esvaziamento é algo temporário”,
complementou Ferreira.
Em resposta, o secretário
Alexandre Motta disse que a superlotação da unidade como um todo depende do
fluxo de pacientes. “O Walfredo tem 300 leitos e absorve, em média, 400
pacientes”, fala. “Como medida, nós temos a Barreira Ortopédica, que reduziu as
cirurgias de baixa complexidade na ortopedia e o giro de leitos – liberação de
pacientes para outras unidades, onde eles podem dar continuidade ao tratamento
iniciado no Walfredo – que tem sido muito eficiente”, disse. Sobre as
dificuldades com insumos, Motta explicou que alguns antibióticos estão em falta
por causa de dificuldades da pasta em manter o pagamento a fornecedores em dia.
Ele negou que tenha havido suspensão das cirurgias eletivas.
Tribuna do Norte

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