A previsão para os próximos meses não é animadora para cidades da região Alto Oeste e Seridó. A expectativa é que outras ainda decretem emergência devido à seca. De acordo com o meteorologista da Emparn, Gilmar Bistrot, os próximos meses não devem ser de chuvas intensas para as regiões. “As chuvas ficaram abaixo da média no período chuvoso, de fevereiro a maio, e tem chovido agora, mas muito pouco. Aqui no Litoral e Agreste os municípios não estão decretando emergência porque ainda estamos em pleno período chuvoso”, afirma Gilmar.
De acordo com o meteorologista, nos próximos meses outras cidades devem
declarar emergência de seca, já que não são esperadas mais precipitações. “No
segundo semestre, nós teremos muitos municípios decretando por conta da falta
de chuva. Não tem previsão de muita chuva ainda aqui. Só para o Litoral e
Agreste teremos alguns períodos de chuva até agosto. E depois, a tendência é
que não chova nem no litoral, nem no interior”, afirma Gilmar Bistrot.
Com o reconhecimento da situação de emergência, as prefeituras podem solicitar
recursos do Governo Federal, por meio do Sistema Integrado de Informações sobre
Desastres (S2iD), para ações de defesa civil, como compra de cestas básicas,
água mineral, refeição para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza,
higiene pessoal e dormitório, entre outros.
A Defesa Civil do RN afirma que cabe aos municípios apresentarem diretamente ao
MIDR projetos que justifiquem a necessidade do recurso, que pode ser deferido
ou não. Nesses casos, a Defesa Civil Estadual afirma que atua apenas orientando
para evitar que os processos cheguem ao Ministério ou à Secretaria Nacional e
voltem por meras formalidades ou falhas de preenchimento.
A Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares no
Estado (FETARN) acredita que a resolutividade dos pleitos acerca da seca tem
sido lenta, apesar do constante diálogo com o governo estadual para ações
urgentes de apoio aos agricultores no semiárido potiguar. De acordo com Erivam
do Carmo Silva, presidente da Fetarn, o planejamento das ações não é coordenado
nem monitorado conjuntamente. “De forma imediata sugerimos a criação de um
fórum com a participação da sociedade civil para definição de ações
estratégicas atentando para as especificidades de cada região e condição real
quanto aos espelhos de água e reservatórios”, afirma.
Erivam ainda afirma que não visualiza uma dinâmica intensiva dos órgãos
públicos e Defesa Civil com relação a estratégias de fortalecimento de agentes
municipais e estaduais para a garantia de uma resposta mais eficiente à seca.
“Embora ainda tenhamos reservatórios com capacidade de abastecimento humano por
algum tempo, para garantir os rebanhos e a produção vegetal é fundamental
construirmos ações em escala emergencial, como o fornecimento de água, o velho
carro pipa, assim como a expansão de tecnologias sustentáveis (cisternas,
barragens de contenção, perfuração e instalação de poços)”, diz.
Para a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN, o reconhecimento da
situação dos municípios por parte do Ministério representa um passo importante
para garantir apoio federal às populações e produtores rurais. A Federação
afirma que acompanha essa situação de forma atenta e mantém diálogo constante
com prefeituras, Defesa Civil e sindicatos rurais, atuando como elo entre o
poder público e os produtores.
A FAERN, por meio do Senar-RN, promove a prestação de serviços de Assistência
Técnica e Gerencial (ATeG) gratuita aos produtores. De acordo com a Federação,
os produtores atendidos pelos projetos do Senar-RN já contam com planejamento
específico para períodos de seca. “Entre as ações preventivas, destacam-se o
planejamento forrageiro, com o plantio de palma forrageira e o armazenamento de
silagem, além da adoção de tecnologias e técnicas voltadas à mitigação dos
efeitos da estiagem”, afirma.
No entanto, a FAERN ressalta que existem desafios na implementação de medidas
de enfrentamento à seca como a deficiência na infraestrutura hídrica do RN,
impactos crescentes das mudanças climáticas e a desigualdade no acesso à
informação e ao crédito por parte dos pequenos produtores.
Volume de reservatórios cai
para 48%
Outro fator agravante para a
seca é o baixo volume dos reservatórios do estado. O Igarn divulgou o Relatório
dos Volumes dos Principais Reservatórios do Estado, referente ao encerramento
do mês de junho. Conforme o levantamento, os mananciais potiguares acumulam
48,88% da sua capacidade total de armazenamento. No mesmo período do ano
passado, o índice era de 76,56%.
O maior reservatório do estado, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves,
localizada na região do Vale do Açu, está com 1.390.725.913 m³, correspondentes
a 58,60% da sua capacidade máxima de 2.373.066.000 m³. Já a barragem de
Oiticica, em Jucurutu, o segundo maior manancial, acumula 103.352.479 m³, o
equivalente a 13,92% da sua capacidade total de 742.632.840 m³. Entre os
reservatórios com volumes mais expressivos, destacam-se ainda as lagoas de
Extremoz, Pium (Nísia Floresta), Jiqui (Parnamirim) e Boqueirão (Touros), todas
com 100% da capacidade.
Atualmente, três reservatórios monitorados pelo Igarn apresentam volumes
superiores a 80% da capacidade: Riacho da Cruz II: 92,78%, Açude Público de
Encanto: 81,92%, Dinamarca (Serra Negra do Norte): 84,41%. Por outro lado, 11
reservatórios se encontram em situação crítica, com volumes inferiores a 10% da
capacidade total, entre eles os de Passagem das Traíras (São José do Seridó) e
o Itans (Caicó) 0,03%.
Tribuna do Norte

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