O boletim informa que o estado
apresenta nível de incidência de SRAG em “alerta” nas últimas duas semanas, com
crescimento sustentado nas últimas seis. O documento destaca que o cenário
exige atenção das autoridades, principalmente pela aproximação do período
chuvoso no estado, quando há aumento da circulação de vírus respiratórios e
maior demanda por atendimento de saúde.
“Na presente atualização, observa-se que 13 das 27 unidades federativas
apresentam nível de incidência de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas
duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6
semanas) até a semana 14: Acre, Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás,
Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do
Norte, Roraima e Sergipe”, diz o boletim.
Para o médico epidemiologista Ion de Andrade, as viroses respiratórias seguem
um padrão cíclico ligado ao clima. “As viroses respiratórias estão mais
relacionadas com a época de chuvas, porque as pessoas ficam mais concentradas
em ambientes até para se proteger da chuva”, explica.
Ele também destaca que o aumento da umidade favorece a disseminação. “Também
aumenta a sobrevivência das microgotas no ar, portanto há uma tendência de
aumento do contágio. A gente ainda não entrou propriamente na época das chuvas,
de maneira que acho que esse cenário pode se incrementar mais com a volta das
chuvas”, analisa.
O monitoramento da SRAG no Brasil é feito com base nas notificações do
SIVEP-Gripe. Segundo a Fiocruz, entre os casos confirmados nas últimas quatro
semanas, os vírus mais identificados foram o vírus sincicial respiratório
(VSR), rinovírus, influenza A e B, e SARS-CoV-2. No primeiro trimestre de 2025,
a maioria dos casos foi causada pelo VSR, principalmente em crianças de até
dois anos. Já entre crianças maiores e adolescentes, o rinovírus é o mais
comum.
O especialista reforça a importância da vacinação contra a gripe, especialmente
com a proximidade do período de maior incidência. “Para a gripe há um
calendário nacional de vacinação que precisa ser respeitado por todos porque
estimula a formação de uma imunidade prévia à explosão do momento de pico da
gripe”, pontua.
Ion de Andrade destaca a necessidade de se antecipar, especialmente em Natal e
na Região Metropolitana, onde as chuvas costumam se concentrar no meio do ano.
“É importante que as pessoas já estejam imunizadas no momento em que o contágio
vai ser mais importante”, alerta.
Com base nos dados climáticos e epidemiológicos, a previsão é de aumento na
procura por atendimentos nas unidades de saúde da capital nas próximas semanas,
especialmente entre os mais vulneráveis. O médico orienta atenção redobrada
para crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades . “Estamos a
praticamente mês e meio do início da época das chuvas, de maior umidade, que
coincide também com o aumento do número de viroses respiratórias. Por isso, é
preciso que nesse momento a pessoa já tenha desenvolvido imunidade para gripe”,
afirma.
Ion de Andrade lembra que, mesmo parecendo comum, a gripe representa risco para
grupos vulneráveis. “A depender do tipo, ela pode ser grave em certos grupos de
risco. Antes da Covid, a doença respiratória que mais preocupava já era a
gripe, porque tem grupos de risco, como gestantes e idosos, por exemplo”,
completa.
O boletim ainda mostra que, entre os óbitos por SRAG nas últimas quatro semanas
no país, 57,9% tiveram confirmação de Covid-19, 19,5% por rinovírus, 11% por
influenza A e 6,7% por VSR.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário