“Todos os casos apresentavam
sintomas semelhantes, incluindo dor de cabeça, febre alta, dores nas costas,
diarreia, hematêmese (vômitos com sangue), mal-estar (fraqueza corporal) e,
numa fase mais avançada da doença, hemorragia externa (sangramento pelos
orifícios)”, destacou a OMS em nota.
No dia seguinte, nove casos
suspeitos já haviam sido contabilizados em pelo menos dois distritos,
Biharamulo e Muleba, incluindo oito mortes – uma taxa de letalidade de 89%.
Amostras de dois pacientes foram coletadas e restadas pelo Laboratório Nacional
de Saúde Pública do país e os resultados seguem pendentes.
“Pessoas próximas, incluindo
profissionais de saúde, foram identificados e estão sendo monitorados em ambos
os distritos”, acrescentou a OMS. O distrito de Bukoba, também na Tanzânia, já
havia registrado um surto de infecção pelo vírus Marburg em março de 2023 que
durou dois meses, totalizando nove casos e seis mortes.
A entidade define a doença de
Marburg como altamente virulenta e com taxa de mortalidade elevada, dependendo
da cepa e do gerenciamento de casos. Pertencente à mesma família do Ebola, o
vírus provoca sintomas que começam de forma abrupta, incluindo febre alta, dor
de cabeça e forte mal-estar. Muitos pacientes desenvolvem sintomas hemorrágicos
graves em poucos dias.
>> Confira as
principais perguntas e respostas sobre o Marburg (informações da OMS e do
Centro de Controle e Prevenção de Doenças no Continente Africano - Africa CDC,
na sigla em inglês):
O que é a doença do vírus
Marburg?
É classificada como uma
enfermidade grave e, muitas vezes, fatal, causada pelo vírus Marburg. A
infecção leva a um quadro de febre hemorrágica viral grave em humanos,
caracterizada por febre, dor de cabeça severa, dor nas costas, dores musculares
intensas, dor abdominal, vômito, confusão mental, diarreia e, em estágios muito
avançados, sangramentos.
A doença foi identificada pela
primeira vez no município de Marburg, na Alemanha, em 1967. Desde então, há um
número limitado de surtos, notificados em Angola, na República Democrática do
Congo, no Quênia, na África do Sul, na Uganda e, agora, em Ruanda.
Em 2023, foram identificados
dois surtos distintos de Marburg em dois países: Guiné Equatorial e Tanzânia.
De acordo com a OMS, a doença figura como uma grave ameaça à saúde pública em
razão de sua elevada taxa de mortalidade, além da ausência de um tratamento
antiviral ou mesmo de uma vacina capaz de conter a disseminação do vírus.
Como é a infecção pelo
vírus?
Inicialmente, seres humanos
podem ser infectados ao entrarem em contato com morcegos Rousettus, um tipo de
morcego frugívoro (que se alimenta de frutas) frequentemente encontrado em
minas e cavernas. Já a transmissão de pessoa para pessoa acontece principalmente
por meio do contato com fluidos corporais de pessoas infectadas, incluindo
sangue, fezes, vômito, saliva, urina, suor, leite materno, sêmen e fluidos da
gravidez.
A infecção também ocorre por
meio do contato com superfícies e materiais contaminados com esses fluidos
corporais. A doença não se espalha pelo ar.
A OMS alerta que o vírus,
muitas vezes, se espalha de um membro da família para outro ou ainda de um
paciente para um profissional de saúde que não utilize equipamentos de proteção
adequados.
Pessoas infectadas permanecem
transmitindo o Marburg enquanto houver carga viral no sangue, o que significa
que os pacientes devem receber tratamento em unidades de saúde específicas e
aguardar que testes laboratoriais confirmem o momento de retornar ao convívio
em segurança.
Quais os sinais e sintomas?
Os primeiros sintomas podem
surgir logo após a infecção e incluem febre alta, calafrios, dor de cabeça
intensa e cansaço intenso. Dores musculares também são sintomas iniciais
comuns.
O quadro tende a se agravar
com o passar do tempo, quando aparecem náuseas, vômitos, dores de estômago e/ou
no peito, erupções cutâneas e diarreia, que podem durar cerca de uma semana.
Nas fases tardias da doença, é
comum ocorrer sangramento em diversos locais do corpo, como gengivas, nariz e
ânus. Os pacientes podem sofrer choque, delírio e falência de órgãos.
De acordo com a OMS, os
sintomas de infecção por Marburg mais relatados são:
* febre;
* dor nas costas;
* dor muscular;
* dor de estômago;
* perda de apetite;
* vômito;
* letargia;
* irritação na pele;
* dificuldade em engolir;
* dor de cabeça;
* diarreia;
* soluço;
* dificuldade para respirar.
Qual o intervalo de tempo
até que os sintomas comecem a aparecer?
A janela de tempo entre a
infecção por Marburg e o início dos sintomas varia de dois a 21 dias. Alguns
pacientes apresentam sangramento entre cinco e sete dias sendo que a maioria
dos casos fatais geralmente apresenta algum tipo de sangramento – geralmente,
em múltiplas áreas do corpo. Quadros de sangue no vômito e/ou nas fezes, por
exemplo, costumam ser acompanhados de sangramentos no nariz, nas gengivas e na
vagina.
“A morte pode ocorrer
rapidamente e, geralmente, é causada por sepse viral, falência múltipla de
órgãos e sangramento”, alerta a OMS.
Os vírus Marburg e Ebola
provocam a mesma doença?
A OMS classifica as duas
infecções como raras e semelhantes, mas causadas por vírus distintos, ambos
membros da família dos filovírus e com capacidade de causar surtos com altas
taxas de mortalidade.
A doença de Marburg pode ser
confundida com outros quadros infecciosos como ebola, malária, febre tifoide e
dengue, em razão da semelhança dos sintomas.
Por esse motivo, apenas a
testagem realizada em laboratório, utilizando amostras de sangue, tecido ou
outros fluidos corporais do paciente, pode confirmar a infecção.
O que fazer em caso de
sintomas de Marburg?
Se você ou alguém próximo a
você apresentar sintomas semelhantes aos da infecção por Marburg, a orientação
da OMS é entrar em contato com um profissional de saúde local para obter
conselhos atualizados e precisos.
Em casos em que há resultado
de teste positivo para a infecção, o atendimento precoce em um centro de
tratamento específico é considerado essencial, além de aumentar as chances de
sobrevivência.
Não existe tratamento
específico para a doença. Entretanto, no intuito de maximizar as chances de
recuperação e ampliar a segurança de pessoas próximas, todos os pacientes devem
receber cuidados e permanecer em um centro de tratamento designado para esse
tipo de caso até que sejam autorizados a sair. A OMS não recomenda o tratamento
em casa.
“Se você ou um ente querido
testar negativo para doença de Marburg, mas ainda apresentar sintomas
compatíveis, permaneça vigilante até que eles desapareçam e até que você seja
liberado pelo seu médico”, destacou a organização.
“Siga sempre os conselhos dos
profissionais de saúde, já que podem ser necessárias análises laboratoriais
adicionais em casos de resultado laboratorial negativo mas com paciente
sintomático”.
Como proteger do vírus?
A melhor forma de prevenir a
infecção por Marburg é evitar o contato com indivíduos ou animais infectados e
praticar uma boa higiene, além de seguir outras medidas possivelmente
recomendadas por governos e autoridades sanitárias locais.
Caso você more ou esteja
viajando para áreas onde foi relatada a presença do vírus – ainda que não
apresente sintomas e que não tenha entrado em contato com um paciente infectado
–, a orientação é seguir medidas preventivas como:
* procurar atendimento caso
surjam sinais da infecção;
* lavar as mãos regularmente
com sabão ou com solução para esfregar as mãos à base de álcool;
* evitar contato com fluidos
corporais de pessoas com sintomas de infecção por Marburg, além de evitar o
manejo do corpo de alguém que faleceu com sintomas da doença;
* ao parar em pontos de
controle sanitários oficiais, aderir a quaisquer medidas preventivas em vigor,
incluindo a triagem de temperatura e o preenchimento de formulários de
declaração de saúde.
Tem tratamento da doença?
Atualmente, não há tratamento
disponível para pacientes diagnosticados com o vírus. Por isso, a OMS considera
essencial que pessoas que apresentem sintomas semelhantes procurem atendimento
precoce.
Cuidados de suporte, incluindo
o fornecimento de hidratação adequada, o controle da dor e de outros sintomas
que possam surgir deve ser feito por profissionais de saúde e é considerado a
forma mais segura e eficaz de gerir a infecção.
O tratamento de coinfecções,
como por malária, doença bastante comum no continente africano, também é
definido como crucial para os cuidados de suporte contra o Marburg.
Segundo a OMS, terapias em
fase de teste e ainda não aprovadas para o tratamento da infecção foram
priorizadas para avaliação da entidade por meio de ensaios clínicos
randomizados.
Existem vacinas?
Até o momento, não existem
vacinas aprovadas para prevenir a infecção pelo vírus Marburg. Há, entretanto,
algumas doses atualmente em processo de desenvolvimento. “A OMS identificou a
doença de Marburg como uma doença de alta prioridade para a qual se faz
urgentemente necessária uma vacina”, informa a OMS.

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