O Brasil fechou o ano de 2024
com US$ 329,7 bilhões em reservas internacionais – uma
"poupança" que o governo faz em moedas estrangeiras, e que funciona
como um seguro contra crises externas.
O número representa uma queda
de 7,1%, ou US$ 25,3 bilhões, em relação ao patamar do ano anterior (US$ 355
bilhões).
O recuo das reservas em
2024 está relacionado, principalmente, com a venda de dólares pelo Banco
Central no fim do ano – ao todo, foram US$ 20,07 bilhões injetados no mercado à
vista.
Além disso, também foi
contabilizada a venda de outros US$ 15 bilhões por meio dos chamados leilões de
linha, que são um tipo de empréstimo. Nesse caso, porém, os valores retornam
posteriormente para as reservas cambiais.
A escalada da moeda
norte-americana em 2024 é resultado de uma série de fatores externos e
internos, como conflitos
internacionais, nível de juros nos
Estados Unidos, eleição de Donald Trump e expectativas
em torno das contas públicas brasileiras.
A disparada
do dólar: entenda o salto de R$ 5,67 para o recorde de R$ 6,09 em apenas um mês
Especialmente no fim do último
ano, os holofotes ficaram com o quadro fiscal do Brasil, em meio a receios do
mercado financeiro sobre a efetividade do pacote de
corte de gastos anunciado pelo governo no fim de novembro.
Colchão contra choques
externos
A vantagem de ter esses
dólares guardados é que isso dá garantias contra eventuais crises no mercado
internacional, como a da Rússia em 1998, ou eventuais retiradas de recursos
por investidores.
Com os dólares, o país tem
mais autonomia e não fica dependente, por exemplo, de empréstimos externos como
os do Fundo Monetário Internacional (FMI) – buscado
recentemente pela Argentina.
O governo acumula a moeda
norte-americana de três formas:
comprando dólares no mercado,
recebendo por suas aplicações
(geralmente em títulos do Tesouro norte-americano), ou
fazendo emissões de títulos da
dívida pública no mercado internacional.
Alguns analistas apontam,
entretanto, que as reservas muito altas também representam um peso para a
sociedade. Como são aplicadas em investimentos no exterior, que rendem juros
muito mais baixos do que aqueles que governo paga ao emitir papéis no mercado
interno (dentro do Brasil), há um chamado "custo de carregamento".
Segundo Sérgio Gobetti,
economista do IPEA, esse custo de carregamento no Brasil é de cerca
de R$ 40 bilhões por ano.
"O ataque especulativo
que vivemos no Brasil abriu uma ótima janela de oportunidade para o BC lucrar
vendendo dólares", avaliou, por meio de rede social. Essa venda de
dólares, por sua vez, pode reduzir a dívida pública.
Câmbio flutuante
A administração da política
cambial é uma atribuição do Banco Central, que possui autonomia legal desde
2021.
Swap cambial, leilão de linha
e venda direta de dólares: entenda os
instrumentos do BC
Dentro de uma política de
livre flutuação do real, a instituição tem esclarecido que intervêm no câmbio
somente em momentos específicos: para evitar movimentos bruscos no dólar,
quando há uma falta de divisas no mercado ou quando vê algum tipo de distorção
na formação de preço, por exemplo.
No fim do ano passado, o então
presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, explicou que a
instituição resolveu
vender dólares porque houve uma saída atípica de recursos do país naquele
momento. E reiterou que não ha defesa de preço do dólar por parte do
BC.
"Mas há a percepção que,
se o BC não atuar, pode haver uma disfuncionalidade de preços [no dólar]. Para
isso que existem as reservas", concluiu Campos Neto, que foi substituído
por Gabriel Galípolo no começo de 2025.
O novo presidente do BC
avaliou, em dezembro, que não houve um
"ataque especulativo", com a subida do dólar, no fechamento do último
ano.
"Não é correto tentar
tratar o mercado como um bloco monolítico, uma coisa só, coordenada. Mercado
funciona geralmente com posições contrárias, tem alguém comprando e alguém
vendendo. Quando o preço de ativo [como o dólar] se mobiliza em uma direção,
têm vencedores e perdedores. Ataque especulativo não representa bem como o
movimento está acontecendo no mercado hoje", declarou Galípolo, na
ocasião.
G1
Nenhum comentário:
Postar um comentário