ESTADÃO CONTEÚDO
Agência de Notícia
O “time” de Janja custa cerca
de R$ 160 mil mensais em salários por mês e seus integrantes já gastaram R$ 1,2
milhão em viagens, desde o começo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), em 2023. Questionada, a Secretaria de Comunicação (Secom)
da Presidência da República respondeu com os cargos formais de cada um dos
profissionais.
Em julho deste ano, a
Presidência procurou uma firma de marcenaria de Taguatinga (DF) para fazer
alterações nas divisórias de madeira que delimitam os espaços dos escritórios
das autoridades no terceiro andar do Palácio do Planalto. O terceiro andar é o pavimento
do presidente Lula. É também onde despacha, numa sala de 25 metros quadrados, a
socióloga casada com o presidente da República. Na reforma, a sala de Janja
continuou com a mesma metragem, mas alguns assessores palacianos perderam
espaço para acomodar a equipe informal dela.
Michelle Bolsonaro e Marcela
Temer também tinham salas similares no terceiro andar do Palácio do Planalto,
mas sem cargos formais. Michelle tinha suas próprias bandeiras no governo do
marido, como a inclusão de tradutores da Língua Brasileira de Sinais (Libras)
nas cerimônias públicas. Já Marcela Temer mal aparecia no Planalto.
Dois nomes se sobressaem no
time de Janja: Neudicléia Neres de Oliveira, a Neudi; e Brunna Rosa Alfaia.
Formalmente, Neudi é assessora especial do Gabinete Pessoal do Presidente da
República. No organograma do time de Janja, porém, ela é considerada uma espécie
de chefe de gabinete. Militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB),
Neudi se aproximou da socióloga no acampamento de Curitiba (PR) durante a
prisão do então ex-presidente Lula. Natural de Santa Catarina, Neudi é
jornalista de formação.
Diferentemente de Neudi,
Brunna Rosa não está lotada no Gabinete Pessoal, mas na Secretaria de
Comunicação (Secom) da Presidência. Ela chefia a Secretaria de Estratégia e
Redes (Seres) da Secom, e comanda algumas das principais contas de redes
sociais do governo, como o perfil SecomVc, que soma 223 mil seguidores no
Instagram. Cientista social de formação, Brunna Rosa atua na área de
comunicação há mais de 15 anos. Trabalhou na campanha de Lula em 2022 e, antes
disso, no gabinete do senador Rogério Carvalho (PT-SE) em 2019, entre outras
experiências.
O “segundo escalão” do grupo
da primeira-dama também é formado por pessoas do Gabinete Pessoal do Presidente
ou da Secom. Brunna Rosa trabalha no dia a dia com Priscila Pinto Calaf,
diretora do Departamento de Canais Digitais da Secretaria de Redes chefiada por
Brunna. As duas já foram sócias numa firma de comunicação, a Embaúba Produções.
Priscila estudou antropologia e fez mestrado na Universidade de Brasília (UnB).
O Calaf, bar criado pelo pai dela, foi um local importante na cena cultural da
capital por décadas, e fechou este ano após 34 anos de atividade.
Assim como Lula está sempre
acompanhado do fotógrafo Ricardo Stuckert, o “Stuckinha”, Janja também tem o
seu próprio fotógrafo. Cláudio Adão dos Santos Souza, o Claudinho, está sempre
ao lado da primeira-dama, inclusive nas viagens oficiais, para registrar a
passagem da socióloga paranaense pelo poder. Até o momento, as viagens dele ao
lado de Janja custaram ao menos R$ 182,3 mil – o valor não inclui os gastos com
voos da Força Aérea Brasileira (FAB), que mantém os custos sob sigilo.
A equipe que costuma viajar
com Janja é integrada ainda por Juliana Aporta Gaspar, coordenadora de Redes
Digitais na Secom; por Julia Camilo Fernandes Silva, assessora especial do
Gabinete Pessoal da Presidência da República; e por Edson Antônio Moura Pinto.
Também assessor especial, Edson é capitão do Exército e ajudante de ordens da
primeira-dama. A relação dele com Lula é antiga: ele integrava a equipe do
petista quando ele estava fora do poder, entre 2010 e 2022, e, antes disso,
atuou no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência nos dois
primeiros mandatos do petista.
Na periferia do grupo de Janja
estão profissionais mais jovens, subordinados dos assessores da primeira-dama.
Um deles, o gerente de projeto Wállison Breno Araújo, é o campeão de gastos com
viagens até o momento: R$ 185,9 mil, sem contar os gastos com voos da FAB.
Wállison é um jovem fotógrafo de 21 anos que trabalha com Claudinho. Antes da
Secom, trabalhava para Luciano Genésio (PP), prefeito de Pinheiro (MA).
Além da própria equipe, Janja
também viaja acompanhada de um aparato de segurança formado por policiais
federais. Nas viagens ao Qatar, em setembro deste ano, e a Paris, para a
abertura das Olimpíadas, esse aparato de segurança era composto por oito policiais
federais, entre agentes e delegados.
A influência de Janja no governo se estende além do núcleo de 12 pessoas sob o comando dela. A socióloga paranaense emplacou a amiga Maria Helena Guarezi como a número 2 (secretária-executiva) do Ministério das Mulheres. Também teve sucesso em indicar a cantora baiana Margareth Menezes para o Ministério da Cultura e é muito próxima do braço direito dela, o secretário-executivo Márcio Tavares.
Também partiu de Janja a indicação da ministra da Igualdade Racial, Anielle
Franco. No fim de 2023, as duas levaram a Lula uma lista de juristas negras
para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula acabou escolhendo
o então ministro da Justiça, Flávio Dino.
Na Secretaria-Geral da
Presidência, Janja mantém boas relações com o secretário Wagner Caetano Alves
de Oliveira. Os dois trabalharam juntos na organização da cerimônia de posse de
Lula, no começo de 2023. O Estadão enviou à Secom a lista de integrantes da
equipe informal de Janja, bem como os salários de cada um e os gastos com
viagens até o momento.

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