Nos corredores de óleos e
azeites dos supermercados, o impacto é evidente. Consumidores afirmam que,
diante da alta de preços, vêm mudando suas experiências com o produto. Para
Sônia Rodrigues, dona de casa, a alternativa tem sido abrir mão do azeite: “Hoje
em dia, é um item de luxo. Faz muito tempo que não compro. Não é sempre que
todo mundo vai ter R$ 50 ou R$ 60 para dar numa garrafinha de 500 ml, então a
gente acaba utilizando alternativas mais baratas como o óleo de soja”, diz.
Já Luzinete Nascimento,
aposentada, continua adquirindo o produto, mas em menor quantidade. “É um
produto que eu costumo usar, mas ultimamente tem sido bastante difícil a
compra. Comprei um essa semana depois de muito tempo e a gente acaba até
contando as gotas para economizar. O jeito é pesquisar para ver se a gente
consegue algum desconto. Esse ano realmente aumentou muito. Gosto de usar na
salada por questão de saúde mesmo. Meu filho é boleiro e às vezes usa para
fazer salgadinho, mas é assim, muito contado”, explicou.
Enfermeira e atenta aos
preços, Jaciara Melo recorre a promoções para economizar. “A gente tem que
fazer pesquisa mesmo. Eu continuo usando, mas de forma mais moderada. Só compro
quando acho uma promoção e tento economizar ao máximo. É um produto que, me
parece, encareceu por problemas lá na Europa, e a gente acaba sendo penalizado.
É muito ruim mesmo, acho que foi um dos produtos que mais teve aumento ao longo
desse ano”, comentou.
O economista e professor
universitário Janduir Nóbrega explica as razões por trás da alta significativa.
Ele explica que países produtores do óleo vegetal, como Espanha, Itália e
Grécia enfrentam uma crise. “Tivemos um problema climático, de quebra de safra,
e isso reduziu a produção. Quando reduz a produção, consequentemente, a oferta
diminui e, se o consumo se mantém alto, vai pressionar o preço para cima. É um
problema não só no mercado local aqui, mas no mercado mundial”, diz.
O especialista também chamou
atenção para outros fatores que contribuem para o cenário desfavorável ao
consumidor. “Aliado a isso, tem a questão do câmbio. O câmbio aumentou muito e,
consequentemente, vai levar os preços para cima. A outra variável é a questão
da época do Natal, quando se usa muito esse produto, e há uma tendência de
manter ainda mais o preço pressionado para cima”, analisou.
O professor ainda destacou o
fenômeno de embalagens reduzidas e o aumento do risco de fraudes. “Agora já
começa a aparecer no mercado azeite com menos de 500 ml, em garrafas menores,
com o preço lá em cima, por R$ 40 a R$ 50. Ou seja, se não prestar atenção
nessa formatação, o consumidor vai ser penalizado duas vezes: primeiro que vai
comprar menos e segundo que vai pagar mais caro. A mesma atenção vale para o
caso das falsificações”, alertou.
Mapa suspende marcas por
fraudes
Em outubro deste ano, o
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou um alerta de risco para o
uso de 12 marcas de azeite de oliva que, segundo a pasta, não atendem aos
padrões de qualidade, sendo, portanto, consideradas impróprias para o consumo.
As 12 marcas foram desclassificadas por fraude, após os testes realizados no
Laboratório Federal de Defesa Agropecuária detectarem a presença de outros
óleos vegetais, não identificados, na composição do produto.
Segundo o Mapa, a contaminação
dos azeites comercializados pelas 12 marcas compromete a qualidade dos produtos
e oferece risco à saúde dos consumidores, dada a falta de informações sobre a
procedência dos óleos detectados. As doze marcas desclassificadas por fraudar
seus produtos são Grego Santorini; La Ventosa; Alonso; Quintas D’Oliveira;
Olivas Del Tango; Vila Real; Quinta de Aveiro; Vincenzo; Don Alejandro;
Almazara; Escarpas das Oliveiras e Garcia Torres.
Tribuna do Norte

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