O republicano, que sobreviveu
a uma tentativa de assassinato em julho, vai governar um país dividido e com
severos desafios internos relacionados à imigração, transição energética,
acesso ao sistema de saúde e dependência química. Na política externa, Trump
terá de lidar com as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e com a competição
econômica e influência cada vez maior da China.
Desta vez, Trump se torna o
homem mais velho a ocupar o cargo de presidente, aos 78 anos e 140 dias. Ele
supera o antecessor e algoz nas eleições de 2020, Joe Biden. Também é o
primeiro desde Groover Cleeveland, em 1893, a voltar à Casa Branca após perder
a reeleição e ser eleito depois de uma condenação criminal em primeira
instância.
A volta de Trump é uma
resposta do eleitor americano a quatro anos de um governo democrata marcado
pela alta da inflação, que elevou o custo de vida dos americanos e reaproximou
os eleitores do Partido Republicano. Também é um sinal claro de que os eleitores
americanos estão mais preocupados com a questão da imigração, tida como fora de
controle, do que com outros temas. As acusações criminais contra o
ex-presidente, que responde a processos de conspiração contra os EUA, retenção
de informações de defesa nacional e suborno, não foram suficientes para minar
sua popularidade.
Com uma vitória também no voto
popular, com mais de 71 milhões de eleitores, a volta de Trump é um sinal claro
de que o eleitor americano apoia a ideia de deportação em massa de imigrantes
ilegais, fim da globalização e um basta ao identitarismo que tomou conta da
esquerda e dos progressistas americanos.
A campanha do republicano foi
marcada por uma retórica mais agressiva contra imigrantes e a memória de
bonança econômica de seu primeiro mandato. Trump retomou o movimento Make
America Great Again (“Faça a América Grande de Novo”, traduzido em português),
que se popularizou na eleição de 2016. Ele promete deportar 11 milhões de
imigrantes ilegais e adotar protecionismo econômico contra rivais americanos,
em especial a China. “Eles (os imigrantes) estão envenenando o sangue de nosso
país”, afirmou em diversos comícios.
O republicano também falou
abertamente sobre usar o Departamento de Justiça para perseguir rivais, tanto
do Partido Republicano quanto do Partido Democrata. Entre eles, estariam a
deputada Liz Cheney, Joe Biden e a rival, Kamala Harris. Trump também fez alusão
à censura contra a imprensa americana e espalhou durante a campanha mentiras
contra imigrantes, como a afirmação de que estariam comendo animais domésticos
na cidade de Springfield, em Ohio – o que desencadeou ameaças e aumento da
violência na região. Ele também prometeu perdão e liberdade aos responsáveis
pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Estadão
.webp)
Nenhum comentário:
Postar um comentário