Donald Trump | Foto: Official White House/Daniel Torok
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 3, que a identidade do país está sob um "ataque renovado" e voltou a mirar supostos "radicais e extremistas" internos, na véspera das comemorações pelos 250 anos da independência americana.
Quatro meses antes das
disputadas eleições de meio de mandato, o presidente americano ainda aproveitou
o cenário do Monte Rushmore, na véspera do 250º aniversário da nação, para
caracterizar seus adversários políticos como comunistas "ateus" e "maléficos".
"Só podemos perder as
eleições de meio de mandato se nos permitirmos perder, se formos tolos,
estúpidos e imprudentes", disse ele na sexta-feira, exigindo que o
Congresso aprovasse a chamada Lei SAVE America, que imporia regras mais rígidas
de identificação do eleitor, tornando mais difícil votar.
"Ao nos aproximarmos
desse magnífico aniversário, vemos nossa identidade americana sob um ataque
renovado", declarou também. Segundo o presidente, há um
"ressurgimento da ameaça do comunismo" nos Estados Unidos.
O republicano tem
intensificado esse discurso nas últimas semanas, após vitórias da ala mais à
esquerda do Partido Democrata em eleições primárias. Trump tem apresentado o
avanço desse grupo como evidência de que "comunistas" representam uma
ameaça ao país às vésperas das eleições legislativas de novembro
Comunismo e 'ataque' ao
excepcionalismo americano
Trump iniciou seu discurso com
uma retórica grandiosa sobre o "excepcionalismo americano", mas
alegou que "nos últimos anos houve uma tentativa inegável de mudar esse
caráter excepcional, de arrancar de nós o espírito americano e de nos afastar
da nossa história".
Em seguida, deu uma guinada
para um discurso politicamente sombrio, com alertas sobre uma suposta ameaça
sinistra de comunismo.
"O comunismo é uma ameaça
mortal à liberdade americana", afirmou ele no Monte Rushmore. "É a
maior ameaça ao nosso país, incluindo a Primeira Guerra Mundial, a Segunda
Guerra Mundial, Pearl Harbor ou até mesmo o 11 de setembro."
Embora tenha evitado o tom
mais agressivo que costuma adotar ao falar sobre imigração, Trump alertou sobre
supostos "recém-chegados ao nosso país que abraçam ideias totalmente
contrárias ao nosso modo de vida e ao nosso grande sucesso".
"Eles não precisam ter
nascido aqui, mas precisam amar o que construímos", disse.
Há anos circulam especulações
de que Trump gostaria de ver seu rosto esculpido no Monte Rushmore.
Parlamentares republicanos chegaram a apresentar um projeto de lei propondo
incluir sua imagem ao lado dos quatro presidentes homenageados no monumento,
George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt.
Neste sábado, 4, data em que
os Estados Unidos celebram o Dia da Independência, Trump promoverá um comício
no National Mall, em Washington, com sobrevoo de aeronaves militares e um
espetáculo de fogos de artifício.
Ao longo das celebrações pelos
250 anos do país, o presidente tem buscado associar as festividades à sua
gestão.
País dividido
Os Estados Unidos chegam ao
marco histórico em meio a forte polarização política.
Democratas criticam Trump por
sua política migratória, pelo crescimento do patrimônio de sua família e pelas
iniciativas para ampliar os poderes da Presidência. O presidente também
enfrenta baixos índices de aprovação, influenciados pela guerra no Irã e pelo
aumento do custo de vida.
Uma organização ligada a
Trump, a Freedom 250, assumiu o controle de parte das celebrações dos 250 anos
do País, reduzindo o protagonismo do grupo bipartidário America250. A mudança
levou parte dos participantes a se afastar dos principais eventos.
Uma feira comemorativa
realizada em Washington também recebeu críticas pelos espaços vazios, em parte
devido à intensa onda de calor que atinge o leste do país.
A previsão é de que as altas
temperaturas persistam durante todo o fim de semana. Na quarta-feira, Trump
ironizou a situação.
"No 4 de Julho fará cerca
de 41°C, e vou fazer um discurso muito longo apenas para mostrar que posso
fazer qualquer coisa", afirmou.
Às vésperas do aniversário de
250 anos da independência, pesquisas indicam um cenário de pessimismo entre os
americanos. Levantamento da Universidade Quinnipiac, divulgado na quinta-feira,
mostrou que 61% dos entrevistados consideram que os Estados Unidos não estão à
altura dos ideais expressos na Declaração de Independência.
O resultado, porém, reflete a
divisão política do país: a maioria dos republicanos avalia que os EUA cumprem
esses princípios, enquanto a maioria dos democratas pensa o contrário /com AFP,
AP e NYT
Estadão Conteúdo

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