Comitiva do Governo do RN visitou canteiro de obras em maio| Foto: Joana Lima
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca no Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (2) dentro de uma agenda de compromissos pelo Nordeste às vésperas do prazo limite estabelecido pela legislação eleitoral para inaugurações e entregas de obras por agentes públicos que pretendem disputar eleições, que se encerra no sábado (04).
No Estado, Lula participa às 11h de uma cerimônia relacionada ao Ramal do Apodi, uma das principais obras hídricas previstas para ampliar os efeitos da transposição do Rio São Francisco na região, que foi iniciado em 2021 por Rogério Marinho durante a gestão Jair Bolsonaro.
A agenda inclui a inauguração do túnel Major Sales, uma das estruturas que fazem parte do empreendimento. O Ramal do Apodi possui 115,5 km de extensão, enquanto o túnel a ser “inaugurado” tem 6,35 km e capacidade para transportar até 20 metros cúbicos de água por segundo.
A obra representa uma etapa fundamental para levar água do eixo da transposição
para municípios do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará, beneficiando 54
municípios (sendo 34 no RN) e uma população estimada em 1,7 milhão mil pessoas
(510 mil potiguares), em uma região historicamente afetada pela insegurança
hídrica.
Porém, apesar da importância
estratégica do projeto, o Ramal do Apodi ainda não está concluído, e a
inauguração ocorre em meio a intervenções provisórias que mascaram serviços
ainda pendentes, como a substituição de passagens molhadas por contêineres temporários.
Contêiner improvisado do Ramal do
Apodi, em José da Penha| Foto: Cedida
O empreendimento faz parte do conjunto de obras associadas à integração do Rio São Francisco e foi planejado para ampliar o alcance da água transferida pelo projeto, garantindo abastecimento humano, segurança hídrica e suporte para atividades econômicas nas áreas atendidas.
A visita presidencial ocorre em um momento em que o governo federal busca intensificar entregas e anúncios antes do período em que a legislação eleitoral restringe inaugurações de obras públicas por agentes que possam ser candidatos. A partir de 4 de julho, ficam limitadas determinadas ações que possam caracterizar promoção pessoal em período eleitoral.
No Rio Grande do Norte, além do Ramal do Apodi, o governo federal não possui
neste momento nenhuma outra grande obra estruturante próxima de conclusão. O
destaque da agenda ficou concentrado em uma etapa específica do empreendimento
hídrico, enquanto a conclusão integral do projeto ainda depende da continuidade
dos serviços.
Caminho da Escola
Ainda durante a agenda do presidente Lula, o Governo Federal fará a entrega de 20 ônibus escolares do programa Caminho da Escola, no âmbito do Novo PAC, para municípios do Rio Grande do Norte.
A entrega tem potencial para beneficiar aproximadamente 1.030 estudantes por viagem, fortalecendo o transporte escolar em áreas rurais e garantindo melhores condições de acesso e permanência dos alunos na rede pública de ensino.
O Rio Grande do Norte foi contemplado com 130 ônibus escolares nas duas etapas da seleção do programa, sendo 69 na primeira etapa (2023) e 61 na segunda (2025), em um investimento de aproximadamente R$ 62,5 milhões.
A TRIBUNA DO NORTE manteve contato com a Assessoria de Comunicação Social do
Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
(MDS), mas a Ascom informou que devido o horário, fim da tarde, só poderia
voltar a prestar informações a partir das 10h30 desta quarta-feira (1º).
PT abandonou Ramal, retomado
em 2020
A viabilização do Ramal do Apodi está ligada ao trabalho desenvolvido durante a gestão do então ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no governo Jair Bolsonaro.
À frente da pasta responsável por políticas de infraestrutura hídrica, o atual senador Rogério Marinho retomou o projeto original da transposição do Rio São Francisco, incluindo planejamento, contratação das obras e investimentos necessários para o desenvolvimento do Ramal do Apodi, que havia sido retirado do projeto original e abandonado durante o governo Dilma Rousseff (PT).
O projeto foi considerado estratégico por Rogério Marinho quando esteve no
Ministério, por ampliar a segurança hídrica de municípios potiguares e integrar
uma nova etapa do maior empreendimento hídrico do país. O então ministro
autorizou a licitação das obras do Ramal em 2020 e o início dos trabalhos para
transformar o projeto em realidade em 2021. Ao fim da gestão Jair Bolsonaro, o
Ramal já contava com 10,9% de execução física. O valor total do empreendimento
é de R$ 1,6 bilhão.
Importância para o RN
O Ramal do Apodi é considerado uma obra de grande impacto para o estado por permitir uma nova fonte de abastecimento para municípios do Oeste potiguar e áreas próximas. A expectativa é que a infraestrutura contribua para reduzir a dependência de reservatórios sujeitos aos períodos de estiagem.
Além do consumo humano, o projeto também tem potencial para fortalecer atividades produtivas, como agricultura, indústria e serviços, ao ampliar a disponibilidade de recursos hídricos.
Especialistas e gestores públicos apontam que obras de segurança hídrica
possuem impacto de longo prazo, especialmente em regiões semiáridas, onde a
disponibilidade de água influencia diretamente o desenvolvimento econômico e
social.
Tribuna do Norte

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