Foto: Reprodução/Redes Sociais
O céu da capital da Venezuela ganhou um tom vermelho intenso no fim da tarde desta última terça-feira (30), poucos dias após a sequência de terremotos que devastou o norte do país. O fenômeno, registrado por moradores e amplamente compartilhado nas redes sociais, chamou a atenção pela intensidade da coloração e despertou especulações sobre uma possível relação com os abalos sísmicos que deixaram milhares de vítimas.
As imagens mostram o horizonte
completamente avermelhado durante o pôr do sol em Caracas, cenário que
contrastou com o momento vivido pelo país, onde equipes de resgate continuam as
buscas por desaparecidos em meio aos escombros deixados pelos terremotos.
Apesar das dúvidas levantadas
nas redes sociais, especialistas afirmam que não há evidências científicas de
que o céu vermelho tenha qualquer ligação com a atividade sísmica registrada na
Venezuela.
Fenômeno tem explicação
atmosférica
Segundo pesquisadores, o
efeito observado é conhecido como "candilazo", chamado de arrebol em
algumas regiões. Trata-se de um fenômeno óptico natural provocado pela forma
como a luz solar atravessa a atmosfera durante o nascer ou o pôr do sol.
Quando o Sol está próximo da
linha do horizonte, sua luz percorre uma distância maior até chegar à
superfície terrestre. Nesse trajeto, os comprimentos de onda azul e violeta são
dispersados com mais facilidade, enquanto as tonalidades vermelhas e alaranjadas
conseguem alcançar os olhos do observador com maior intensidade.
Além disso, fatores como
poeira, umidade e partículas suspensas na atmosfera podem potencializar o
efeito, tornando o céu ainda mais avermelhado.
A coincidência entre o
fenômeno e os terremotos levou alguns internautas a relacionarem o episódio às
chamadas "luzes de terremoto", um raro evento luminoso estudado por
cientistas e observado, em alguns casos, antes ou durante atividades sísmicas.
No entanto, especialistas
destacam que as luzes de terremoto consistem em clarões rápidos e localizados,
completamente diferentes da coloração avermelhada registrada em Caracas. Até o
momento, não há qualquer comprovação científica de que o fenômeno atmosférico
observado tenha relação com os tremores que atingiram o país.
A avaliação predominante da
comunidade científica é que o espetáculo visual foi provocado exclusivamente
pelas condições atmosféricas registradas no momento do pôr do sol e não
representa indício de novos terremotos ou de outro evento geológico.
Terremotos deixaram quase 2
mil mortos
Uma semana após os primeiros
tremores, a Venezuela segue mobilizada para atender as vítimas da tragédia. O
balanço divulgado nesta quarta-feira (01) aponta que o número de mortos subiu
para 2.295, enquanto o total de feridos chegou a 11 mil pessoas.
Os terremotos ocorreram na
noite da última quarta-feira (24), quando dois abalos de magnitudes 7,2 e 7,5
atingiram, com poucos segundos de intervalo, a região norte da Venezuela.
Considerados os mais fortes registrados no país em mais de um século, os sismos
provocaram o desabamento de edifícios, destruíram bairros inteiros e deixaram
um rastro de destruição em Caracas e cidades vizinhas.
Estimativa da Organização das
Nações Unidas (ONU) indica que cerca de 50 mil pessoas ainda permanecem
desaparecidas. As equipes de resgate continuam atuando nas áreas mais
atingidas, embora as chances de encontrar sobreviventes diminuam com o passar
dos dias.
Tribuna do Norte

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