Levantamento indica que
sobretaxa proposta pelos EUA afetaria principalmente produtos industrializados;
decisão final caberá ao presidente Donald Trump
Foto: Official White House Photo by Joyce N. Boghosian
A tarifa de 25% proposta pelo
governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode atingir 26,9% das
exportações do Brasil ao mercado americano, segundo cálculo do economista
Sérgio Vale divulgado pela Folha de S.Paulo. A estimativa aponta que os principais
impactos devem recair sobre produtos industrializados, especialmente máquinas e
equipamentos, madeira e manufaturados, além de produtos elétricos.
De acordo com o levantamento
do economista da MB Associados, o Brasil exportou US$ 2,36 bilhões em máquinas
e equipamentos para os Estados Unidos no ano passado. No caso de madeira e
manufaturados, as vendas somaram US$ 1,24 bilhão em 2025. Já os produtos
elétricos, como transformadores, movimentaram cerca de US$ 920 milhões.
“Basicamente foram afetados produtos industrializados. Cerca de um quarto dos
impactados são máquinas e equipamentos”, afirmou o economista à Folha.
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A proposta de nova tarifa foi
apresentada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do
Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da
legislação comercial americana. O órgão recomendou a aplicação da sobretaxa
como resposta a práticas brasileiras consideradas injustas pelo governo
americano.
Apesar da proposta, a decisão
final sobre a aplicação ou não da tarifa caberá ao presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump. Antes disso, o USTR abrirá uma consulta para que o setor
privado se manifeste sobre os resultados da investigação. O relatório definitivo
deverá ser publicado até 15 de julho.
Segundo a MB Associados, a
lista de produtos isentos representa US$ 21,2 bilhões, ou 56,3% do total de US$
37,7 bilhões exportados pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado. Entre os
itens excluídos da nova tarifa estão produtos considerados estratégicos para a
economia americana ou com oferta doméstica insuficiente.
A lista de exceções inclui
alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, suco de laranja,
castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi,
laranja, limão e outras frutas tropicais. A indústria aeronáutica também ficou
fora da taxação adicional proposta.
Outros 16,8% das exportações
brasileiras aos Estados Unidos estão sendo analisados em outra frente da
legislação americana, a Seção 232. Nesse grupo estão produtos como aço,
veículos, autopeças, alumínio, derivados de aço e cobre. Esses itens não foram
incluídos na lista de isenção, mas também não estão diretamente sujeitos à nova
tarifa de 25% proposta na investigação da Seção 301.
Para Sergio Vale, a medida
pode encarecer produtos para o consumidor americano e reduzir a eficiência da
economia dos Estados Unidos, apesar da intenção declarada do governo Trump de
estimular a produção interna. “Nesse sentido, era esperado que houvesse um
aprendizado em evitar taxar aquilo que causa processo inflacionário imediato
por não ter substituto doméstico, mas continua a ideia equivocada de que os EUA
produzirão mais desses produtos que vão deixar de comprar do Brasil”, avaliou.
O economista defende que,
diante do cenário, empresas brasileiras busquem ampliar a diversificação de
mercados.
Com informações da Folha de
São Paulo/Tribuna do Norte

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