Lideranças dos setores
afetados, em especial da indústria, começaram a elaborar uma estratégia para
tentar reverter a medida que vigora em 15 de julho
Em Goiás, Lula disse que EUA anunciaram taxação em 25% com base em uma mentira - Foto: Agência Brasil
Lideranças do setor privado já
se mobilizam no Brasil e nos Estados Unidos para tentar convencer o USTR
(Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) a reverter o novo
tarifaço contra os produtos brasileiros, mas avaliam que o Palácio do Planalto
e o Itamaraty precisam demonstrar maior disposição para negociar com a Casa
Branca para que a medida seja derrubada.
Já na tarde da terça-feira
(2), lideranças dos setores afetados, em especial da indústria, começaram a
elaborar uma estratégia para tentar reverter a medida.
A ideia é promover uma
mobilização setorial dentro do próprio calendário estabelecido pelo USTR, com o
dia 22 de junho como data-limite para pedidos de participação na audiência,
envio de comentários por escrito até o dia 1º de julho e participação na audiência
pública no dia 6 de julho. O anúncio final está previsto para o dia 15 de
julho.
O que diz o relatório
O relatório divulgado pelo governo americano afirma que determinadas políticas
e práticas do Brasil seriam “irrazoáveis” e prejudicariam empresas dos Estados
Unidos. Entre os pontos citados estão o Pix, questões relacionadas ao comércio
digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção.
Nos bastidores, integrantes do
governo brasileiro consideraram a proposta sem fundamento técnico consistente e
classificaram como “absurda” a inclusão de alguns argumentos apresentados pelos
americanos. Entre as alternativas em análise estão a manutenção das negociações
com Washington, por meio do grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula
e Donald Trump em maio, e eventuais medidas de resposta com base nos
instrumentos previstos pela Lei da Reciprocidade Econômica.
O parecer do USTR abre agora
uma etapa de consulta pública antes de uma decisão final sobre a adoção das
sanções comerciais. O prazo legal para conclusão do processo termina em 15 de
julho.
Lula: ‘anunciaram de forma
intempestiva’
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 2, que os Estados Unidos anunciaram de
forma “intempestiva” a taxação de produtos brasileiros em 25%, medida que,
segundo ele, foi baseada em uma “mentira”.
A decisão foi publicada na
segunda-feira, 1º. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos
(USTR, na sigla em inglês) concluiu uma investigação sobre práticas comerciais
brasileiras e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos
importados do Brasil. As medidas devem entrar em vigor até 15 de julho, após
audiência marcada para 6 de julho.
Ao comentar o novo tarifaço,
Lula afirmou que os EUA justificam a medida alegando um déficit comercial com o
Brasil, mas argumentou que, nos últimos 15 anos, os norte-americanos acumularam
um superávit de US$ 415 bilhões na balança comercial com o País. Segundo ele, a
decisão baseia-se numa “mentira”.
“Eu fiquei preocupado porque
acho que o Pix assusta eles”, disse o presidente brasileiro. “Eu falei para o
(presidente Donald) Trump: ‘Cara, em vez de ter medo do Pix, coloca o Pix para
funcionar nos Estados Unidos. Faz um Pix. É muito mais simples’.”
Lula afirmou ainda que a
preocupação dos americanos é que o Pix possa afetar as empresas de cartão de
crédito dos Estados Unidos que atuam no Brasil. Segundo ele, o sistema deve
avançar sobre esse mercado por ser gratuito, público e de uso simples. “Brasil
não aceita ser tratado como se fosse uma republiqueta”, continuou.
A declaração foi dada durante
cerimônia de inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de
Catalão (HU-UFCAT), em Goiás. Participaram do evento os ministros Alexandre
Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da República) e Leonardo
Barchini (Educação).
Lula afirmou ainda que espera
um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que ele
explique a taxação.
“Eu estou esperando um
telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha
ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência. Nós dois combinamos
30 dias, até 15 de julho, para termos uma resposta sobre o que nós propusemos”,
disse Lula.
O petista afirmou ainda que
apresentou a Trump propostas envolvendo minerais críticos e terras raras,
combate ao crime organizado e ampliação das relações comerciais, além de se
colocar à disposição para discutir qualquer tema de interesse do governo americano.
“Trump, é o seguinte, cara:
você disse que pintou uma química entre nós. Quem anunciou isso não foi você
nem eu. Você me deu uma reunião e eu dei uma reunião para você, porque nós
demos 30 dias para os nossos negociadores conversarem”, destacou.
Aos presentes no evento, Lula
fez um discurso salientando que o Brasil aprendeu a agir de “cabeça erguida”,
sem se considerar melhor nem pior do que outros países. Disse ainda que nunca
“baixou a cabeça” para ninguém, que não teme pressões de Trump, não quer guerra
com os Estados Unidos, mas busca paz e respeito.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário