As dívidas com bancos e cartões de crédito concentram a maior fatia dos débitos no RN, representando 32,10% do total. Foto: Alex Régis
Mais da metade da população
adulta do Rio Grande do Norte possuía dívidas em atraso no mês de maio. Ao
todo, os potiguares acumulavam R$ 7,8 bilhões em débitos, distribuídos em
4.477.740 dívidas. Segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da
Serasa, 51,8% dos adultos do estado estavam inadimplentes no período, o
equivalente a 1.379.226 pessoas. Em média, cada consumidor com contas em atraso
devia R$ 5.664,86.
Apesar do índice, o Estado registrou uma leve redução de 0,10% no número de
negativados em relação a abril, quando havia 1.380.622 consumidores nessa
situação. De acordo com Aline Vieira, especialista da Serasa em educação
financeira, esse cenário mostra que muitas famílias ainda enfrentam
dificuldades para equilibrar o orçamento diante dos diversos compromissos
financeiros do dia a dia.
“A inadimplência costuma refletir desafios relacionados ao custo de vida, à
renda disponível e à capacidade de absorver imprevistos financeiros”, explica.
Em fevereiro de 2026, o custo médio mensal de vida dos potiguares alcançou R$
2.550, valor superior ao salário mínimo (R$ 1.621), valor que representa a
renda da maioria das pessoas, conforme levantamento da Serasa.
As dívidas com bancos e cartões de crédito concentram a maior fatia dos débitos
no Estado, representando 32,10% do total. Em seguida aparecem as financeiras,
responsáveis por 25,59% das pendências, e as empresas de serviços, como água,
energia e telefonia, que respondem por 13,98%.
Segundo Vieira, o crédito continua sendo amplamente utilizado como uma
ferramenta complementar ao orçamento familiar. “No entanto, quando ocorre uma
redução da renda, aumento dos custos ou algum imprevisto financeiro, esses
compromissos costumam ser os primeiros a sofrer impacto”, afirma.
“Esse cenário reforça a importância do uso consciente do crédito e do
planejamento financeiro, para que o endividamento permaneça compatível com a
capacidade de pagamento do consumidor”, completa.
O número de inadimplentes no Estado deixa o Rio Grande do Norte na 6ª posição
no ranking do Nordeste em números absolutos, sendo o 4º Estado com menor
quantidade de pessoas negativadas na região. Com 1.379.226 inadimplentes, o
estado fica à frente de Alagoas (1.130.131), Piauí (1.056.490) e Sergipe
(793.166).
Na outra ponta do ranking, a Bahia lidera o número de inadimplentes no
Nordeste, com 5.179.426 pessoas com dívidas em atraso. Em seguida aparecem
Ceará (3.714.610), Pernambuco (3.652.032), Maranhão (2.368.015) e Paraíba
(1.389.423).
Entre os estados que registraram redução no número de inadimplentes entre abril
e maio, o Ceará apresentou a maior queda (-1,29%), seguido por Piauí (-0,92%),
Paraíba (-0,91%), Maranhão (-0,73%), Alagoas (-0,36%) e Rio Grande do Norte
(-0,10%).
Já entre os estados que registraram aumento da inadimplência no período,
Sergipe teve a maior alta (+0,49%), seguido por Bahia (+0,36%) e Pernambuco
(+0,06%).
Aline Vieira analisa que a queda observada em maio é um sinal positivo, mas
ainda é pequena diante do volume total de consumidores inadimplentes no RN. “Analisando
o contexto nacional, os níveis de inadimplência permanecem elevados em diversas
regiões do País, o que exige cautela”, pondera.
Educação financeira reduz inadimplência
Para reduzir os índices de inadimplência, o presidente do Conselho Regional de
Economia do RN (Corecon-RN), Ricardo Valério, defende que o Estado invista de
forma mais consistente em educação financeira. Segundo ele, muitos consumidores
ainda recorrem à contratação de novas dívidas para quitar débitos antigos, em
vez de reorganizar o orçamento e planejar melhor os gastos.
Para o economista, a educação financeira deve ser incentivada desde cedo, tanto
nas escolas quanto nas empresas, como forma de criar uma cultura de
planejamento e uso consciente do crédito.
“Precisamos levar o conhecimento necessário da educação financeira para termos
uma melhor gestão das finanças pessoais e empresariais e sair desse quadro de
anos seguidos de endividamento”, afirma.
Valério avalia que essas iniciativas precisam ser acompanhadas por ações
permanentes de orientação financeira. “O Desenrola é louvável e tem ajudado a
resolver situações, com reduções expressivas das dívidas, mas precisamos também
investir em educação financeira para evitar que as pessoas voltem a se
endividar”, ressalta.
Ainda segundo o economista, as pessoas devem planejar o orçamento e melhores
condições econômicas para reduzir de forma duradoura os índices de
inadimplência observados no RN e no País.
Tribuna do Norte

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