quinta-feira, 11 de junho de 2026

Comissões derrubam veto a repasses diretos aos municípios

Projeto garante maior previsibilidade a quase R$ 3 bilhões destinados às prefeituras no RN. Foto: João Gilberto

Por unanimidade, o veto integral da governadora Fátima Bezerra (PT) ao projeto de lei 0623/2025 que garante os repasses diretos das receitas tributárias de ICMS e IPVA e de parcelas do Fundeb pertencentes aos municípios, foi rejeitado, na quarta-feira (10), em duas comissões permanentes da Assembleia Legislativa.

De iniciativa do deputado estadual Gustavo Carvalho (PL), a matéria agora segue à deliberação do plenário da Casa, onde passou por aprovação unânime em 10 de dezembro de 2025 com os votos de 22 deputados, inclusive da bancada do Partido dos Trabalhadores, como maneira de assegurar o repasse semanal dos recursos aos municípios, em decorrência dos constantes atrasos e retenções de créditos na conta única do Estado no Banco do Brasil.

De acordo com o Relatório Resumido da Execução Orçamentária do segundo bimestre (março e abril) divulgado pelo Executivo, cerca de R$ 3 bilhões serão repassados aos aos 167 municípios do Rio Grande do Norte somente de impostos até dezembro de 2026, sem falar as verbas do Fundeb.

Ou seja, a previsão de 25% de ICMS a ser repassado chega a R$ 2.626.699.000,00, enquanto os 50% do IPVA somam R$ 371.922.000,00, totalizando R$ 2.998.621.000.

Inicialmente, a Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) analisou o veto governamental com o voto favorável do relator, deputado estadual Coronel Azevedo (PL), em substituição ao seu próprio presidente, deputado estadual Luiz Eduardo (PL), que está ausente do Estado.

Em seu parecer, o deputado Coronel Azevedo rebateu os argumentos apresentados pelo Executivo para justificar o veto, oficiado à Assembleia em 31 de março: “As justificativas do governo não reúnem densidade jurídica suficiente para invalidar as decisões desta comissão”.

Azevedo observou que o projeto institui um mecanismo de repasse diário inspirado em modelo já adotado com sucesso em Minas Gerais, destacando que a medida contribui para o equilíbrio das finanças municipais.

“As prefeituras frequentemente enfrentam atrasos nos repasses, e a matéria garante a regularidade do fluxo financeiro essencial para os municípios potiguares. Além disso, encontra-se em plena conformidade financeira e orçamentária, uma vez que não cria qualquer despesa nova para o Estado”, argumentou.

Para o relator, a proposta atende ao interesse público e fortalece a autonomia financeira dos municípios. “Não pode o governo se apropriar de recursos que pertencem aos municípios. Trata-se de uma iniciativa que assegura transparência, previsibilidade e respeito ao pacto federativo, sem qualquer prejuízo ao interesse público”, concluiu.

Segundo o relator, as razões apresentadas pela governadora no Veto Integral nº 5/2026 ao Projeto de Lei 632/2025, fundamentam-se na alegada contrariedade ao interesse público, argumenta que o projeto busca legislar sobre matéria já disciplinada pela Lei Complementar Federal 63/1990, extrapolando a competência suplementar do Estado ao instituir prazos e critérios próprios de repasse a duas invasão de competência federal.

Alega-se que a obrigatória de repasse automáticos e o esvaziamento diário da conta centralizadora comprometem a direção superior da administração estadual e a gestão do fluxo de de caixa da conta única do Tesouro Estadual, além de que o modelo proposto conflita com o contrato 02/2023 firmado com o Banco do Brasil, alterando unilateralmente as regras de arrecadação e podendo gerar penalidades contratuais ao Estado.

O Executivo ainda sustentou que a automação absoluta impede a realização de estornos necessários decorrentes de arrecadações indevidas ou ordens judiciais, transferindo todo o ônus financeiro de eventuais correções ao tesouro estadual, em desacordo com a lei de responsabilidade fiscal.

Para Azevedo, o objetivo central da propositura é instituir um mecanismo de repasse automático e diário para o IPVA e em prazos fixos semanais para o ICMS, utilizando a instituição financeira como agente centralizador para realizar os créditos diretamente nas contas municipais.

“O verdadeiro interesse público resiste no fortalecimento do pacto federativo e na garantia de que os recursos da educação, Fundeb, e da saúde cheguem aos cidadãos nos municípios sem retenções indevidas pelo Tesouro Estadual”, avalizou o Coronel Azevedo.

O deputado estadual Tomba Farias (PL) acompanhou o voto do relator, que foi “direto na ferida”, assim como o deputado estadual Neilton Diógenes (PP): “Nós devemos tocar mesmo na ferida, têm que ser prioridade esse repasse. E se isso não acontecer, que é o caso que não está acontecendo, que se torne lei para que a gente possa de verdade sentir esses recursos chegarem até as prefeituras e se o serviço que deve ser feito com esses recursos. Só assim a população vai poder enxergar ou receber o seu imposto de volta”.

A deputada Terezinha Maia (PL) disse que votava com o relator, porque “sabe da importância desse projeto, da gente poder garantir esse recurso aos municípios, que é que estão de frente com a população sofrendo no dia a dia”.

Já em reunião extraordinária na Comissão de Administração e Serviços Públicos, Trabalho e Segurança Pública, o relator, Tomba Farias argumentou que os municípios estão passando por dificuldades e as medidas propostas pelo projeto vão assegurar recursos para serviços básicos aos quais a população precisa ter acesso imediato. Acompanharam o parecer os deputados Taveira Júnior e Cristiane Dantas (PSDB).

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário