O encontro é promovido pelo Sebrae-RN com apoio do Polo Sebrae de Energias Renováveis. Foto: Magnus Nascimento
Um dos principais gargalos para o setor de energias renováveis do Rio Grande do Norte é o chamado curtailment, os cortes de geração que causam prejuízos bilionários no estado. Por conta disso, o uso de tecnologias de armazenamento, como as super baterias (BESS, na sigla em inglês) e que captem o excedente gerado, como os data centers, se apresentam como os principais desafios a serem enfrentados. Interlocutores concordam que, embora haja caminhos para o uso dessas tecnologias, o estado precisa avançar mais rapidamente rumo à implantação. E é para debater temas como esse que o setor se reúne até esta sexta-feira (15), em Natal, durante o Fórum Sebrae de Energia Solar.
O encontro, promovido pelo
Sebrae com apoio do Polo Sebrae de Energias Renováveis, discute questões de
mercado, inovação, regulação e oportunidades de negócios em energias
renováveis. O evento começou nesta quinta-feira (14), em um hotel da Via
Costeira. O presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER),
Williman Oliveira, disse que a grande expectativa do setor é pela
industrialização e desburocratização de processos para melhorar a atração de
investidores para o RN.
Segundo Oliveira, a abundância
de matéria-prima para as renováveis coloca o estado em uma posição confortável
em relação ao restante do país, ao mesmo tempo em que demanda esforços para
resolver problemas já conhecidos do setor. O uso de data center, uma
solicitação recorrente da área, é uma dessas demandas. “Ainda vejo uma
movimentação sutil por parte do governo, já que esse é um tema que requer
muitos esforços. Mas eventos como este, que debatem caminhos para acelerar esse
processo de crescimento do setor, são sempre vistos com bons olhos”, falou.
Rodrigo Sauaia, CEO da
Absolar, entende como um dos principais gargalos a infraestrutura existente no
estado. “Data centers, produção de Hidrogênio Verde (H2V), eletromobilidade e
eletrificação dos setores produtivos são questões que precisam ser aceleradas
não somente com ações do governo federal, mas também do Governo do Estado.
Nessa toada, nós temos uma grande oportunidade do uso dos sistemas de
armazenamento, que são as baterias, ferramentas estratégicas para dinamizar o
mercado para as empresas de pequeno e médio porte”, falou Sauaia.
Por sua vez, o secretário Hugo
Fonseca, de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec), analisa que o estado tem
conseguido criar um ambiente favorável à infraestrutura necessária à expansão
do setor. “Além de data centers, outras tecnologias como computadores de alto
desempenho voltados à Inteligência Artificial também contribuem para o
armazenamento. A instalação de cabo submarino para garantir conectividade é
super importante, bem como as indústrias eletrointensivas”, citou o secretário.
“E o RN vem investindo na
atração de investimentos. Somos praticamente o único estado do país que tem
plantas em escala industrial para H2V e estamos com uma política fortíssima
para atração de computadores de alto desempenho. Provavelmente teremos esses
computadores instalados no estado e isso favorece a atração dos data centers.
Outro ponto é que já conseguimos regulamentar o licenciamento ambiental para
BESS e também para H2V”, descreve o secretário.
Todos os temas seguem em
discussão no Fórum Sebrae de Energia Solar. João Hélio Cavalcanti,
diretor-técnico do Sebrae-RN, afirmou que a ideia do evento é ajudar a promover
a dinamização do mercado para os pequenos negócios no rol das tecnologias de
armazenamento. “Essa é uma questão cheia de oportunidades e desafios ao mesmo
tempo, então, nossa ideia é gerar conexões. Por isso, temos a participação de
empresas que trabalham com variados tipos de energia”, indica.
Diante do amplo debate em
torno do setor, Zeco Melo, superintendente do Sebrae-RN, destaca a importância
do fórum para o mercado local. “Esta é a quinta edição do evento, já
consagrado, em uma região muito forte para as energias solar e eólica e que
sofre bastante com apagões. Este é um aspecto importante que está em discussão
no fórum. Para além disso, estamos construindo um modelo de relacionamento com
as empresas que existem no Brasil inteiro. Então, é um evento muito bem
estruturado, com parcerias importantes”, falou Zeca.
Participam do fórum
especialistas reconhecidos nacionalmente, além de representantes de empresas e
instituições ligadas ao segmento. A programação inclui painéis e debates sobre
temas estratégicos para o setor, como regulação do mercado, inovação tecnológica,
armazenamento com baterias, crédito e financiamento, geração compartilhada,
mercado livre de energia e perspectivas de crescimento da energia solar no
Brasil e no Nordeste.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário