sexta-feira, 15 de maio de 2026

Fórum discute desafios para energias renováveis no RN

O encontro é promovido pelo Sebrae-RN com apoio do Polo Sebrae de Energias Renováveis. Foto: Magnus Nascimento

Um dos principais gargalos para o setor de energias renováveis do Rio Grande do Norte é o chamado curtailment, os cortes de geração que causam prejuízos bilionários no estado. Por conta disso, o uso de tecnologias de armazenamento, como as super baterias (BESS, na sigla em inglês) e que captem o excedente gerado, como os data centers, se apresentam como os principais desafios a serem enfrentados. Interlocutores concordam que, embora haja caminhos para o uso dessas tecnologias, o estado precisa avançar mais rapidamente rumo à implantação. E é para debater temas como esse que o setor se reúne até esta sexta-feira (15), em Natal, durante o Fórum Sebrae de Energia Solar.

O encontro, promovido pelo Sebrae com apoio do Polo Sebrae de Energias Renováveis, discute questões de mercado, inovação, regulação e oportunidades de negócios em energias renováveis. O evento começou nesta quinta-feira (14), em um hotel da Via Costeira. O presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER), Williman Oliveira, disse que a grande expectativa do setor é pela industrialização e desburocratização de processos para melhorar a atração de investidores para o RN.

Segundo Oliveira, a abundância de matéria-prima para as renováveis coloca o estado em uma posição confortável em relação ao restante do país, ao mesmo tempo em que demanda esforços para resolver problemas já conhecidos do setor. O uso de data center, uma solicitação recorrente da área, é uma dessas demandas. “Ainda vejo uma movimentação sutil por parte do governo, já que esse é um tema que requer muitos esforços. Mas eventos como este, que debatem caminhos para acelerar esse processo de crescimento do setor, são sempre vistos com bons olhos”, falou.

Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, entende como um dos principais gargalos a infraestrutura existente no estado. “Data centers, produção de Hidrogênio Verde (H2V), eletromobilidade e eletrificação dos setores produtivos são questões que precisam ser aceleradas não somente com ações do governo federal, mas também do Governo do Estado. Nessa toada, nós temos uma grande oportunidade do uso dos sistemas de armazenamento, que são as baterias, ferramentas estratégicas para dinamizar o mercado para as empresas de pequeno e médio porte”, falou Sauaia.

Por sua vez, o secretário Hugo Fonseca, de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec), analisa que o estado tem conseguido criar um ambiente favorável à infraestrutura necessária à expansão do setor. “Além de data centers, outras tecnologias como computadores de alto desempenho voltados à Inteligência Artificial também contribuem para o armazenamento. A instalação de cabo submarino para garantir conectividade é super importante, bem como as indústrias eletrointensivas”, citou o secretário.

“E o RN vem investindo na atração de investimentos. Somos praticamente o único estado do país que tem plantas em escala industrial para H2V e estamos com uma política fortíssima para atração de computadores de alto desempenho. Provavelmente teremos esses computadores instalados no estado e isso favorece a atração dos data centers. Outro ponto é que já conseguimos regulamentar o licenciamento ambiental para BESS e também para H2V”, descreve o secretário.

Todos os temas seguem em discussão no Fórum Sebrae de Energia Solar. João Hélio Cavalcanti, diretor-técnico do Sebrae-RN, afirmou que a ideia do evento é ajudar a promover a dinamização do mercado para os pequenos negócios no rol das tecnologias de armazenamento. “Essa é uma questão cheia de oportunidades e desafios ao mesmo tempo, então, nossa ideia é gerar conexões. Por isso, temos a participação de empresas que trabalham com variados tipos de energia”, indica.

Diante do amplo debate em torno do setor, Zeco Melo, superintendente do Sebrae-RN, destaca a importância do fórum para o mercado local. “Esta é a quinta edição do evento, já consagrado, em uma região muito forte para as energias solar e eólica e que sofre bastante com apagões. Este é um aspecto importante que está em discussão no fórum. Para além disso, estamos construindo um modelo de relacionamento com as empresas que existem no Brasil inteiro. Então, é um evento muito bem estruturado, com parcerias importantes”, falou Zeca.

Participam do fórum especialistas reconhecidos nacionalmente, além de representantes de empresas e instituições ligadas ao segmento. A programação inclui painéis e debates sobre temas estratégicos para o setor, como regulação do mercado, inovação tecnológica, armazenamento com baterias, crédito e financiamento, geração compartilhada, mercado livre de energia e perspectivas de crescimento da energia solar no Brasil e no Nordeste.

Tribuna do Norte

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