quinta-feira, 14 de maio de 2026

Estoque de empregos formais cresce 5,98% no RN em 2025; alta é a menor do Nordeste

A remuneração real média foi de R$ 3.603,99 em 2025, representando uma queda de 2,01% em comparação à remuneração registrada em 2024 (R$ 3.677,78)| Foto: Alex Régis

O Rio Grande do Norte registrou alta de 5,98% no estoque de empregos formais em 2025, fechando o ano com 740.730 postos de trabalho. Em 2024, o estado fechou com 698.905 postos (+41.825 em 2025). Apesar da alta, o crescimento percentual foi o menor da região Nordeste. Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2025 foram divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, abrangendo tanto o setor privado quanto o público.

No estado, a remuneração real média foi de R$ 3.603,99, o que representa uma queda de 2,01% em comparação à remuneração registrada em 2024 (R$ 3.677,78). Do total de empregos formais, 530.855 foram celetistas, enquanto 209.875 foram estatutários. No recorte setorial, serviços (+7,53%), indústria (+6,30%), agropecuária (+4,94%) e comércio (+3,40%) tiveram alta no estoque de empregos, enquanto a construção registrou um recuo de 1,24%.

O economista William Figueiredo, da Fecomércio-RN (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do RN), destaca que os setores de serviços e comércio são os principais responsáveis pelo aumento no número de empregos formais. Juntos, eles respondem por 79,37% do estoque no RN.

“Os dados da RAIS são um complemento aos dados do Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados], que já mostravam que o comércio e os serviços no RN, mais uma vez, lideraram a criação de empregos”, lembra. Em 2025, segundo o Caged, o saldo desses setores foi de 7.950 novos postos de trabalho. Segundo ele, o resultado veio acompanhado de crescimento na atividade econômica dos setores.

Nacionalmente, houve dinâmica semelhante à do RN: crescimento de empregos e queda na remuneração média. O estoque de empregos formais no Brasil subiu 5% em 2025 e chegou a 59,97 milhões, enquanto a remuneração média caiu 0,5% (R$ 4.434,38).

Para o economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon/RN), essa dinâmica sugere que os novos empregos foram cargos de menor qualificação profissional.

“Infelizmente, o Rio Grande do Norte carece de uma estrutura educacional mais robusta no que tange à mão de obra qualificada. Pessoas que têm baixa qualificação profissional ocupam postos de trabalho com bem menor remuneração”, explica.

A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que a redução da remuneração indica que o crescimento não foi seguido por “evolução da renda do trabalhador, o que reforça a necessidade de ampliar produtividade, investimento e qualificação da mão de obra”.

Avaliação por setores

Néo avalia que o crescimento do estoque acompanha a evolução dos setores de comércio e serviços. “O setor de agropecuária já vem com esse crescimento constante, embora não tão expressivo. O que chama a atenção é a queda da construção civil. Isso preocupa, porque historicamente a construção civil é um dos setores que mais emprega mão de obra”, afirma o economista.

Sérgio Azevedo, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do RN (Sinduscon-RN), diz que a entidade avalia com preocupação essa redução. “O número, isoladamente, pode parecer pequeno, mas precisa ser lido dentro de um contexto mais amplo: o estado vem enfrentando dificuldades para transformar seu potencial econômico em investimentos, obras e empregos”, afirma.

Azevedo aponta fatores locais e nacionais que podem explicar o recuo, como “a crise fiscal que afeta o país, o custo elevado do crédito, a insegurança econômica, a alta carga tributária, os encargos sobre a folha e a dificuldade de aprovação de legislações capazes de destravar gargalos estruturais”. Nesse contexto, diz, “menos projetos saem do papel, menos obras são iniciadas e menos empregos são gerados”.

William Figueiredo pontua que as perspectivas para serviços e comércio são otimistas. “A perspectiva para este ano [2026] é o setor crescer 2,8%. Ou seja, mais um ano de crescimento, mais uma vez sendo o setor que vai puxar a atividade econômica no RN”.

Já a Faern diz que os dados da RAIS 2025 mantêm a agropecuária como relevante para a geração de empregos formais, “mesmo em um ambiente marcado por desafios climáticos e custos elevados de produção”.
“O resultado reforça o papel estratégico do agro para a interiorização do emprego e da atividade econômica no estado, especialmente em municípios onde a produção rural tem forte impacto sobre renda e movimentação econômica local”, diz a entidade.

Números

Crescimento no estoque de empregos formais do Nordeste em 2025

PI: +74.244 (13,18%)
AL: +81.633 (12,98%)
PB: +103.278 (12,86%)
CE: +195.462 (10,57%)
MA: +95.391 (9,84%)
BA: +266.035 (9,71%)
PE: +176.301 (9,31%)
SE: +42.434 (9,17%)
RN: +41.825 (5,98%)

Fernando Azevêdo/Repórter

Tribuna do Norte

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