Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva disse neta segunda-feira (9) ao presidente da África do Sul, Cyril
Ramaphosa, que os dois países devem focar na autonomia e no fortalecimento, por
meio da produção de artigos militares para autodefesa.
“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, disse Lula, ao receber Ramaphosa no Palácio do Planalto, em Brasília.
“Não precisamos ficar
comprando dos ‘Senhores das Armas’. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar
a gente, a não ser nós mesmos”, pontuou.
O presidente brasileiro
defendeu que os dois países do Sul Global articulem uma parceria estratégica
para se tornarem um mercado relevante para a indústria de defesa.
A declaração de Lula foi dada
após assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, de comércio
exterior e da indústria, no Palácio do Planalto. A visita do presidente
sul-africano ao Brasil vai até esta terça (10).
Lula também reiterou o perfil
pacífico da América do Sul e que as tecnologias têm uso civil.
“Aqui, na América do Sul, nós
nos colocamos como uma região de paz. Aqui, ninguém tem bomba nuclear, bomba
atômica. Nossos drones são para agricultura, para a ciência e tecnologia e não
para a guerra.”
Preço do petróleo
Lula também manifestou sua
“profunda preocupação” com a escalada de conflito no Oriente Médio que, segundo
o presidente, representam uma grave ameaça à paz e à segurança internacional.
“O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção
de uma solução duradoura.”
O presidente Lula afirmou que,
por conta da guerra contra o Irã, o preço do petróleo já vem subindo em quase
todo mundo e deve encarecer ainda mais..
Lula destacou também os
impactos humanitário e econômico do conflito iniciado em 28 de fevereiro, após
os Estados Unidos e Israel atacarem de forma coordenada o Irã. Os bombardeios
matarem o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei e quase duas centenas de
pessoas em Teerã.
“Esses conflitos produzem
efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos. São
mais vulneráveis, sobretudo, as mulheres e as crianças que sofrem os impactos
mais severos dessas crises”, declarou Lula.
Terras raras
Durante a declaração à
imprensa, o mandatário brasileiro explicou que o Brasil tem potencial para
exploração de minerais críticos considerados essenciais para a transição
energética e digital em curso.
O presidente Lula disse ainda
ao presidente da África do Sul que é preciso repensar o papel da exploração dos
recursos naturais nos territórios.
“Já está avisado ao mundo que
o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos aquilo que foi
feito por minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado
pagando 100 vezes mais caro.”
Para o presidente Lula o
caminho é o fortalecimento das cadeias produtivas da mineração dos dois países,
a partir do conhecimento do potencial mineral das duas nações.
“Chega! Já levaram toda a
nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de
ferro. O que mais querer levar? Quando a gente vai aprender que Deus colocou
toda essa riqueza para nós e nós ficamos dando para os outros?”, questionou.
Lula enfatiza que não é
questão de tomada de decisão política, mas que é preciso tirar proveito da
exploração de minerais críticos para melhorar as condições de vida da
população.
Democracia
O presidente Lula confirmou
que em 18 de abril estará em Barcelona (ES) a convite do primeiro-ministro da
Espanha, Pedro Sánchez, para quarta reunião Em defesa da Democracia.
“Queremos aproximar nossos
países nos temas de regulação do ambiente digital, inteligência artificial e a
valorização das fontes de informação de qualidade, incluindo tantas políticas
domésticas quanto a articulação para fortalecer essa agenda no ambiente
multilateral.”
Por fim, Lula enfatizou que o
Brasil e a África do Sul compartilham a convicção de que o Sul Global deve ter
voz ativa nas grandes decisões internacionais.
Agência Brasil

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