Ao gravar o vídeo, que teve
mais de 38 milhões de visualizações, o influenciador denunciou a monetização de
vídeos em que crianças e adolescentes são exploradas sexualmente.
A medição foi realizada na
última terça-feira (12) no sistema de denúncias da ONG, que mantém há quase 20
anos o Canal Nacional de Denúncias de Crimes e Violações a Direitos Humanos na
web. Entre 6 de agosto, data em que foi postado o vídeo, e 0h de terça-feira
(12), a SaferNet recebeu 1.651 denúncias únicas. No mesmo período do
ano passado, o hotline da organização havia recebido 770 denúncias,
um aumento de 114%.
Para a comparação, a SaferNet levantou
os números do primeiro semestre de 2025 (28.344 denúncias) em relação ao
primeiro semestre de 2024 (23.799 denúncias). O aumento de pornografia infantil
entre um ano e outro havia sido de apenas 19%, considerado normal após a queda
de 26% anotada em 2024.
Denúncias únicas são as que
a SaferNet recebe de forma anônima de usuários da internet e
disponibiliza ao Ministério Público Federal (MPF), após a filtragem que
realiza. Nessa avaliação, a SaferNet coleta evidências, exclui os
links repetidos e agrupa os comentários recebidos com os links.
A análise do mérito (do teor
dos links denunciados e se há indício de crime) é feita por técnicos
e analistas do Ministério Público Federal, com atribuição legal para iniciar e
conduzir investigações cíveis e criminais em temas de direitos humanos.
Denúncias crescem
Para o presidente da SaferNet,
Thiago Tavares, esse crescimento de denúncias de imagens de abuso de exploração
sexual infantil na internet em agosto é efeito do vídeo viral de Felca. “Há
anos, o tema do abuso sexual infantil online não gerava um debate tão
grande na sociedade brasileira e a repercussão do vídeo, obviamente, estimulou
as pessoas a denunciar” opina.
Felca, em seu vídeo, apontou
duas questões que a SaferNet vem denunciando sistematicamente desde o
ano passado: o uso do Telegram como plataforma para distribuir e
vender os vídeos produtos dos abusos e exploração de crianças, e o uso por
esses criminosos de acrônimos, siglas e emojis para falar desse tipo
de conteúdo sem chamar atenção, tanto ao vender as imagens dos abusos, quanto
para aliciar novas vítimas.
É o caso, por exemplo, da
sigla cp (child porn), encontrada em vários grupos de troca e venda de
pornografia infantil e mostrada no vídeo viral do influenciador.
A SaferNet não
recomenda o uso da expressão pornografia infantil porque ela minimiza a
gravidade que têm esses crimes. A posse, o registro, a distribuição e a venda
de imagens de abuso e exploração sexual infantil perpetuam e multiplicam a dor
de crimes mais graves: o estupro, o abuso e a exploração sexual de crianças e
adolescentes.
Sobre a SaferNet
A Safernet completará 20 anos
em dezembro deste ano. Durante sua trajetória, essa ONG brasileira tornou-se
referência na promoção dos direitos humanos na internet. A ONG mantém o Canal Nacional de Denúncias,
conveniado ao Ministério Público Federal e o Canal de Ajuda.org.br, o
Helpline, para vítimas de violência e outros problemas online. A Safernet
promove o uso seguro da internet com projetos educacionais como a Disciplina de
Cidadania Digital.
* Matéria alterada em 15/08 às
09h50 para ajustes no título e no primeiro parágrafo.
Agência Brasil

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