O estudioso abriu a
programação do Forecasting Healthy Futures Global Summit, evento
internacional sobre saúde e clima, que começou nesta terça-feira (8) no
Rio de Janeiro. O Brasil foi escolhido para sediar a conferência porque vai
receber a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30),
em novembro.
Montgomery ressaltou que essa
extinção já vem ocorrendo ─ "a maior e mais rápida que o planeta já viu, e
somos nós que estamos causando isso", frisou. Entretanto, a morte de
espécies pode chegar a níveis catastróficos se o aumento da temperatura média
global chegar a 3 graus Celsius (ºC) acima dos níveis pré-industriais. Em 2024,
alcançamos um aumento recorde de 1,5º C, e cientistas estimam que se as ações
atuais foram mantidas, especialmente no que se refere a emissão de gases do
efeito estufa, esse aumento deve chegar a 2,7 °C até 2100.
"Se continuarmos
golpeando a base dessa coluna instável sobre a qual estamos apoiados, a própria
espécie humana estará ameaçada. No ano passado, emitimos 54,6 bilhões de
toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera — um aumento de quase 1% em relação ao
ano anterior. A concentração atmosférica de CO₂ não só está aumentando, como
está aumentando de forma cada vez mais acentuada", explicou o
especialista.
E, de acordo com Montgomery,
outras consequências drásticas poderão afetar a Terra bem antes disso. "Se
alcançarmos, mesmo que temporariamente, um aumento entre 1,7 °C e 2,3 °C,
teremos um colapso abrupto das camadas de gelo do Ártico.
Sabemos que isso também vai causar uma desaceleração significativa da
Circulação Meridional do Atlântico, da qual depende o nosso clima, nos próximos
20 ou 30 anos, provocando uma elevação do nível do mar em vários metros, com
consequências catastróficas".
Ele chama atenção para outras
causas do aquecimento global, como a emissão de metano, gás com potencial
danoso 83 vezes maior do que o dióxido de carbono, liberado principalmente
durante a exploração de gás natural. O cientista inglês também argumentou que
ações imediatas de despoluição são essenciais para a própria economia mundial,
que, prevê ele, deve reduzir em 20% ao ano, ou 38 trilhões de dólares, a partir
de 2049, por causa dos efeitos das mudanças climáticas.
Hugh Montegomery avalia que é
importante pensar em medidas de adaptação a mudanças no clima, porque elas já
estão afetando a saúde da população hoje, "mas isso não pode ser feito em
detrimento de uma redução drástica e imediata nas emissões, porque não faz
sentido focar apenas no alívio dos sintomas quando deveríamos estar buscando a
cura".
Agência Brasil

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