A cesta básica mais cara foi
cotada em São Paulo, onde os alimentos que a compõem custam R$ 851,82, 60% do
salário mínimo oficial (R$ 1.518). Em janeiro, segundo o levantamento do
Dieese, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro
pessoas deveria ter sido de R$ 7.156,15.
Estudo divulgado em dezembro
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que a renda média
do trabalhador brasileiro foi de R$ 3.279,00 em outubro de 2024, dado mais
atual disponível.
Valores
A comparação, segundo o Dieese, é possível “com base na cesta mais cara, que,
em janeiro, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação
constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para
suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação,
moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência”.
Em janeiro de 2024, deveria
ter ficado em R$ 6.723,41 ou 4,76 vezes o valor vigente. A inflação dos últimos
12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi
de 4,8%, valor próximo ao aumento indicado.
As cidades do sul e sudeste
estão entre as mais caras cotadas. Em Florianópolis, o valor médio da cesta
básica foi de R$ 808,75, no Rio de Janeiro R$ 802,88, e, em Porto Alegre, R$
770,63.
Custo
Curitiba, com R$ 743,69, Vitória com 735,31 e Belo Horizonte com R$ 717,51
completam o setor, mas foram superadas por Campo Grande (R$ 764,24), Goiânia
(R$ 756,92) e Brasília (R$ 756,03). As capitais do Norte e Nordeste pesquisadas
têm custos abaixo da metade do valor do salário mínimo. Em Fortaleza a cesta
básica custou em média R$ 700,44, em Belém R$ 697,81, em Natal R$ 634,11, em
Salvador R$ 620,23, em João Pessoa R$ 618,64, no Recife R$ 598,72 e em Aracaju
R$ 571,43.
A análise do Dieese liga o
aumento da cesta básica ao comportamento de três itens principais: o café em
pó, que subiu em todas as cidades nos últimos 12 meses; o tomate, que aumentou
em cinco cidades, mas diminuiu em outras 12 nesse período, mas teve aumento
acima de 40% em Salvador, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro, por conta
das chuvas; e o pão francês, que aumentou em 16 cidades pesquisadas nos últimos
12 meses, o que se atribui a uma “menor oferta de trigo nacional e necessidade
maior de importação, nesse cenário de câmbio desvalorizado”.

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