Mas, afinal, de onde ela vem?
A uva-passa consumida no
Brasil é praticamente toda importada, já que a produção nacional é pequena.
Isso acontece porque o clima e os custos elevados para
desidratar a uva dificultam a produção nacional.
“Temos apenas pequenas
produções feitas por poucas pessoas”, comenta o pesquisador da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Reginaldo Teodoro
de Souza.
O clima ideal para secar a uva
é o desértico, que tem um calor muito forte e uma umidade muito baixa. O
Nordeste brasileiro é seco, mas tem mais umidade que o clima desértico;
A secagem em fornos demanda
altos custos com energia elétrica.
Maioria vem da Argentina
De janeiro a outubro de 2024,
o Brasil comprou mais de 24 mil toneladas de
uva-passa, no valor de US$ 47,7 milhões, segundo o Ministério
da Agricultura.
O órgão não tem dados da produção interna.
Da quantidade total importada,
mais de 80% veio da Argentina,
o que, segundo a Embrapa,
se justifica mais pela facilidade de transporte e isenções de tarifas
estabelecidas pelo Mercosul (os
dois países fazem parte deste bloco).
O país vizinho é o 10º
principal produtor mundial de uva-passa, atrás de Turquia, Estados Unidos,
Irã, Grécia, Chile, África do Sul, Uzbequistão, Afeganistão e Austrália.
Colher no ponto certo
Um dos segredos para que a
uva-passa chegue com qualidade à mesa do consumidor é o seu ponto de colheita.
"Você precisar colher a
uva madura, como se você fosse consumi-la para a mesa. Isso garante a
qualidade, a doçura, o sabor. Se você colher antes, por exemplo, ela fica
ácida", afirma Souza.
Ele explica que a uva-passa
tem as mesmas propriedades e benefícios nutricionais que os de uma uva fresca.
"A única diferença é que ela é desidratada, perde água", explica.
Após a secagem, a uva-passa fica apenas com 33% do seu peso inicial, detalha o
pesquisador.
Como as uvas são secas
Há, basicamente, duas maneiras
de secar as uvas. Uma delas é deixá-las expostas ao sol, assim como
acontece com a secagem do café em terreiro. A outra opção é a secagem em
fornos.
Segundo Souza, da Embrapa, o Brasil possui
desvantagens para produzir em larga escala por meio dessas duas formas, na
comparação com os principais países produtores.
Quanto à secagem natural, ele
afirma que a condição climática ideal é a desértica, que tem uma
temperatura bastante alta e umidade muito baixa, o que garante uma boa e rápida
secagem das uvas. É esse clima, inclusive, que faz a Turquia ser um dos
maiores produtores do mundo.
"Embora exista um clima
seco no Nordeste do Brasil, não é desértico. Aqui temos mais umidade",
afirma.
Para fazer a secagem, as uvas
são colocadas em esteiras ou em plataformas e é preciso revirá-las de tempos em
tempos para que elas sequem por todos os lados.
Secagem em fornos
Outra alternativa é a secagem
das uvas em fornos, porém o elevado custo de energia elétrica no Brasil torna
essa opção praticamente inviável, pelo menos por enquanto, na avaliação de
Souza.
"O que acontece é que a
uva-passa importada chega bem mais barata aqui. Se a gente for colocar o custo
com a secagem no preço [da uva-passa], ela fica muito mais cara do que comprar
de fora. A Turquia,
por exemplo, consegue produzir em grande quantidade e com custo baixo ",
diz o pesquisador.
Uma das vantagens é que, nesse
modelo, as uvas não escurecem, como as que são expostas ao sol.
Antes de entrar nos
equipamentos, as uvas são lavadas e recebem um produto que retira a oleosidade
da casca. O objetivo é fazer com que a fruta desidrate mais rápido. Depois
disso, as uvas são colocadas em bandejas e seguem para os fornos.
Em algumas fábricas, as frutas
recebem, antes de irem para as máquinas, uma substância chamada anidrido
sulfuroso para que a cor seja fixada. Durante o aquecimento, o químico evapora.
O processo de secagem no forno
leva cerca de 90 dias. Após esse processo, tanto as uvas-passas secadas ao sol,
quanto as desidratadas nos fornos, são lavadas, centrifugadas e selecionadas.
G1



Nenhum comentário:
Postar um comentário