O Senar-RN tem se destacado pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) oferecida gratuitamente aos produtores rurais. Quais são os números dessa assistência nos últimos anos no RN e de que forma esse serviço tem impactado a produtividade e a renda no campo?
Esse serviço da assistência técnica tem em torno de 10 anos. A gente já atendeu
em torno de 10.000 produtores. Hoje nós conseguimos atender simultaneamente,
nesse momento, 5.000 produtores. Nessa metodologia, são 24 meses de assistência
gratuita. Esse projeto consiste em levar tecnologia, inovação e assistência
técnica para o produtor que não tem condição de pagar. Todas as ações do Senar
são gratuitas. Via de regra, o nosso produtor – em torno de 90% – é um pequeno
mesmo. Após a assistência do Senar, em alguns casos chega a duplicar ou até
triplicar a produção, e esse produtor consegue ter um aumento de renda em torno
de 30% a 40%.
O senhor pode citar exemplos concretos de produtores que tiveram sua realidade transformada após receberem a AteG?
Temos vários. Nós trabalhamos aqui no Estado com mais de 10 cadeias produtivas.
Temos o caso de Francisco, que tem pouco mais de 30 anos e é lá de Campo
Grande. Ele foi o produtor destaque do ano passado. Quando ele entrou no
projeto, produzia em torno de 30 a 40 litros de leite por dia. Ele terminou o
projeto com 400 litros de leite/dia. Então, com o melhoramento genético dos
animais, com manejo alimentar, com manejo sanitário, nós orientamos o produtor
a pegar o crédito na hora certa e com isso ele aumentou muito a produção.
Francisco passou a não depender mais do Senar e hoje anda sozinho.
Além da assistência técnica, o Senar investe fortemente em qualificação profissional gratuita. Como os cursos técnicos em Zootecnia, Agronegócio, Fruticultura, Agricultura e Agropecuária têm contribuído para preparar jovens e trabalhadores rurais para os desafios atuais do setor?
Hoje nós temos basicamente a capacitação e a assistência técnica. Na
capacitação, a gente dá os cursos que chamamos de formação profissional, e tem
os cursos de aprendizagem, os de promoção social e os de formação técnica.
Esses cursos têm duração média de dois anos, com diploma registrado pelo MEC.
Ele é o ensino formal da gente, que termina como técnico agrícola, podendo se
vincular ao conselho e depois ministrar treinamentos e assistência técnica.
Dentro da nossa metodologia, temos todas essas linhas de capacitação. Com esses
cursos, a gente atinge os produtores e é também um complemento à assistência
técnica. Ele aprende a inovação e vai conseguir colocar em prática na sua
propriedade.
Os cursos de curta duração, como os de Formação Profissional Rural (FPR) e de Promoção Social (PS), têm alcançado milhares de homens e mulheres no interior do estado. Que mudanças práticas esses cursos têm gerado na vida das famílias rurais?
Os cursos de formação profissional atingem diretamente os produtores
assistidos. Além da assistência, eles recebem capacitação, aprendem inovações e
técnicas que aplicam nas propriedades. Os cursos de promoção social, por sua
vez, envolvem as famílias, com artesanato, saúde preventiva, saúde do idoso, do
adolescente. Também oferecemos cursos para empresas maiores, quando o
Ministério do Trabalho exige capacitação de trabalhadores, como tratoristas ou
aplicadores de defensivos. Somos nós que atendemos essas empresas.
Existe um aproveitamento dos alunos formados pelo próprio Senar para atuarem como instrutores ou técnicos de campo na instituição?
O produtor que é assistido passa a entender muito daquela cadeia. Existem
exemplos de que ele entra na formação técnica de Zootecnia, se forma e depois
se torna um técnico de campo daquela cadeia produtiva. Então a gente consegue,
ao mesmo tempo, capacitar essa mão de obra e contratar essa mão de obra para
poder estar atendendo os produtores. Hoje, nós temos em torno de 30 técnicos
contratados pelo Senar, que foram formados pelo Senar.
O Senar-RN lançou também o projeto ATeG Universitário. Qual é a proposta dessa iniciativa e como ela aproxima os futuros profissionais da realidade do campo?
Hoje a gente tem em torno de 300 técnicos credenciados. Não é fácil a gente
manter esse pessoal no campo, porque é muita gente. Então, nós precisamos dessa
mão de obra. Por isso, já começamos a pegar ele na faculdade, que é o caso da
ATeG Universitário. Ele vai aprendendo como funciona a nossa metodologia para,
no final, a gente contratar esse técnico já formado e poder ser um técnico de
campo nosso. Agora, vamos também ter uma residência de graduação, fazendo um
estágio de seis meses com direito a bolsa de R$ 2.500,00. No técnico, ele
também vai ter um estágio de seis meses com bolsa de R$ 1.500,00 para ser o
nosso técnico no futuro.
Em parceria com o TRT e o Senai, o Senar desenvolve cursos técnicos voltados para detentos do sistema prisional do RN. Como essa experiência tem funcionado e quais os resultados já observados?
O Rio Grande do Norte está sendo pioneiro ao oferecer curso técnico em unidade
prisional. Começamos em agosto, com o curso técnico de fruticultura na
Penitenciária Agrícola de Mossoró, com 19 alunos. Eles terão redução de pena e,
quando se formarem, poderão se credenciar no conselho para atuar
profissionalmente. Esse curso é 60% a distância e 40% prático e presencial.
Está sendo uma experiência muito interessante e a gente espera trazer muito
resultado bom. Junto disso, estamos construindo estufas nas unidades prisionais
que servirão para a produção de mudas, hortaliças, para consumo deles, e para
capacitá-los a produzir nessas estufas. Agora no início acontecerá em cinco
unidades: Mossoró, Apodi, Caraúbas, Macaíba e Pau dos Ferros.
O senhor acredita que a capacitação promovida nesses últimos anos tem ajudado a fixar os jovens no campo, oferecendo alternativas de renda e evitando o êxodo rural?
Nosso presidente, José Vieira, costuma falar muito isso: o pessoal só vai ficar
no campo se ele tiver renda. Se ele vir que não tem renda, que não tem
oportunidade lá, que não tem condições dele ganhar dinheiro lá, ele vai vir
para a cidade. Isso é uma coisa natural. Hoje, nós damos assistência técnica e
vemos produtores jovens, como o caso de Francisco, que falei anteriormente, que
está tendo uma renda razoável dentro da sua propriedade e não vai querer ir
para a cidade. Quando a inovação, a capacitação e a assistência técnica dão
resultado de aumento de renda, o produtor não tem interesse de sair do campo.
Então, realmente diminui o êxodo rural.
Quais são os principais desafios para ampliar ainda mais a formação dos trabalhadores rurais no Rio Grande do Norte?
Hoje nós temos em torno de 6.000 a 7.000 alunos por ano aqui no Estado, entre
várias cadeias e vários tipos de curso. Para ampliarmos isso, nós precisaríamos
de mais parcerias e que essa demanda venha do campo. Seria no sentido de
alcançarmos mais recursos, porque, como eu disse, aqui nós trabalhamos de forma
gratuita, então muitas vezes o que trava são as nossas limitações de recursos.
Muitas vezes conseguimos pegar recursos através de emendas parlamentares, de
editais que a gente participa, e aí ampliamos o número de pessoas assistidas na
ponta.
A saúde dos trabalhadores do campo também é uma preocupação do Senar? Que iniciativas ou projetos a instituição tem desenvolvido nessa área?
Sim, nós temos um projeto de saúde no campo e temos cursos de promoção social
voltados para saúde do idoso e saúde do jovem. No projeto Saúde no Campo, são
produtores já assistidos por nós que recebem mensalmente uma visita dos nossos
enfermeiros que atendem toda a família, realizando alguns exames, medição, e
tudo aquilo é anotado na necessidade do que for observado. A gente sabe como é
a dificuldade do Estado em dar saúde para as pessoas na cidade, imagina no
campo, que é ainda mais complicado. Com saúde, o produtor vai poder trabalhar e
ter mais tranquilidade.
Quais são os novos projetos ou programas que o Senar-RN pretende lançar ainda este ano para fortalecer a educação e a assistência no Agro?
Um dos projetos é a Residência Agropecuária, em que vamos buscar formados em
técnico e formados em ensino superior para dar esse estágio e ele ser um futuro
candidato a ser nosso técnico de campo. Outra ação é o ATeG Mais Produção e
Renda, em que vamos atender àquele produtor pequenininho mesmo, que tem uma
horta, e a gente vai dar assistência olhando para a propriedade inteira. No
Saúde no Campo, ele vai ser ampliado. Nós somos um projeto piloto aqui entre 10
regionais no Brasil. E no próximo semestre vamos ampliar em número de pessoal
assistido.
Tribuna do Norte

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