Na tentativa de acalmar o Mercado Financeiro, após o zunzum da previdência, o governo elevou sua
estimativa oficial para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano
de 0,5% para 1,1%, anunciou nesta quinta-feira (14) o ministro da Fazenda,
Henrique Meirelles.
Esse valor está acima da
previsão de crescimento do mercado financeiro para 2017, que é de
0,91%.
"Quero levar em conta os
fatores que têm levado a essa expansão grande na taxa de crescimento. Em
primeiro lugar, houve um processo de 'desalavancagem' das empresas [redução de
dívidas] que começou no segundo semestre do ano passado, e as famílias também.
Paralelamente, houve descompressão da política monetária [queda dos juros] do
Banco Central, o que colaborou para o crescimento", avaliou Meirelles.
Ao mesmo tempo, a equipe
econômica também elevou de 2% para 3% a previsão de expansão da economia em
2018.
Essa nova previsão do governo
é superior à estimativa de expansão econômica do mercado financeiro, que
projeta, até o momento, uma alta de
2,62% para 2018, e também do Congresso Nacional, que aprovou nesta
quarta-feira um orçamento com uma estimativa de crescimento do PIB de 2,5% para
o próximo ano.
"Achamos que é uma
previsão bastante conservadora, bastante sólida. Existe em primeiro lugar um
aumento da confiança grande, produto do controle fiscal, da aprovação do teto
dos gastos, produto da aprovação das reformas em geral e todas as discussões em
andamento", declarou o ministro Meirelles.
Segundo ele, houve aumento da
confiança, aumento do investimento e aumento do consumo na economia brasileira.
"Temos uma conjugação de
fatores positivos justificando isso. Confiança crescendo, expectativa de
inflação controlada e todas essas reformas em andamento, levando a uma possível
queda da taxa de juros estrutural da economia, que é o risco país. Tudo isso
reflete nos indicadores. Tudo isso facilitando o investimento, o financiamento
e o consumo", acrescentou Meirelles.
No dia 1º dezembro, o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que
o PIB no terceiro semestre de 2017 cresceu 0,1% comparado com os três meses
anteriores. No acumulado do ano, até o terceiro semestre, o crescimento do PIB
é de 0,6%.
Impacto da reforma da
Previdência
O secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, afirmou que, sem a aprovação
da reforma da Previdência Social, a estimativa de crescimento do PIB para o
próximo ano cai de 3% para 2,85%.
"Se não aprovar a reforma
da Previdência, vai mudar as condições financeiras e dá tempo de afetar o
crescimento", explicou ele.
Segundo o secretário, o
mercado considera que a chance de aprovar a reforma da Previdência no governo
do presidente Michel Temer é de 1/3, ou seja, de apenas 33%.
"É um numero relevante
para medir o PIB. Se a previdência for aprovada, é um choque positivo maior do
que a surpresa de não ser aprovada", declarou Kanczuk.
Por outro lado, com a
aprovação da reforma pelo Congresso Nacional, ele afirmou que a previsão de
alta do PIB do governo sobe de 3% para 3,3% em 2018.