O Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central se reuniu nesta quarta-feira (8) e decidiu manter,
mais uma vez, os juros básicos da economia em 14,25% ao ano - o maior em quase
dez anos.
Essa foi a sétima reunião
seguida em que o Copom manteve estável a Selic, após uma série de altas que foi
interrompida em setembro do ano passado. A decisão confirmou a expectativa dos
economistas do mercado financeiro, que apostavam que a taxa permaneceria em
14,25%.
Ao subir os juros ou mantê-los
elevados, o BC encarece o crédito. O objetivo é reduzir o consumo no país para
conter a inflação que mostrou resistência no ano passado e no início de 2016.
Entretanto, os juros altos prejudicam a atividade economica e,
consequentemente, inibem a geração de empregos.
Ao fim do encontro desta
quarta, o BC divulgou o seguinte comunicado: "O Copom decidiu, por
unanimidade, manter a taxa Selic em 14,25% a.a., sem viés. O Comitê reconhece
os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos
efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos. No entanto, considera
que o nível elevado da inflação em doze meses e as expectativas de inflação
distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para
flexibilização da política monetária".
Cenário da economia
Atualmente, a economia brasileira passa pela maior recessão de sua história. No
ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) teve retração de 3,8% e, para este ano,
o mercado financeiro já prevê um tombo de semelhante intensidade.
Se confirmado, será a primeira
vez na história com dois anos seguidos de encolhimento do PIB.
Com a economia patinando, o
desemprego cresce. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o
desemprego ficou em 11,2% no trimestre encerrado em abril - o maior índice da
série, iniciada em 2012. Esses fatores contribuem, teoricamente, para o
controle da inflação.
Porém, ainda influenciada pelo
alto patamar do ano passado, a inflação brasileira segue elevada. Nos cinco
primeiros meses deste ano, já soma 4,05%, já próximo da meta central de
inflação para 2016, que é de 4,5%.
Em 12 meses até maio, a
inflação totaliza 9,32%. Com isso, continua acima também do teto de 6,5% do
sistema de metas brasileiro para 2016.
Corte dos juros
Em meio à forte recessão que castiga a economia brasileira, o mercado acredita
que a tendência é de queda dos juros nos próximos meses. As futuras decisões
sobre a taxa de juros serão tomadas por Ilan Goldfajne pela próxima diretoria
do Banco Central.
Nesta terça-feira, em sabatina
no Senado Federal, ele declarou que vai cumprir "plenamente a meta de
inflação estabelecida pelo CMN [Conselho Monetário Nacional], mirando o seu
ponto central [de 4,5%]".
"Os limites de tolerância
servem para acomodar choques inesperados que não permitam a volta ao centro da
meta em tempo hábil", afirmou na ocasião.
Para o próximo ano,
entretanto, a estimativa do mercado financeiro, atualmente, é de que o IPCA
some 5,5% - ou seja, ainda distante da meta central de 4,5%, embora esteja
abaixo do teto de 6% do sistema de metas vigente para o próximo ano. Com isso,
argumentam economistas, a expectativa é de que o processo de redução dos juros
tenham início mais para o fim deste ano.
Juros reais e poupança
Com a decisão desta quarta-feira, o Brasil permanece na liderança do ranking
mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os
próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management,
com uma taxa de 7,54% ao ano.
Em segundo lugar, aparece a
Argentina, com juros reais de 3,7% ao ano, seguida pela Rússia (2,78% ao ano) e
pela Indonésia (2,35% ao ano). Na média das 40 economias pesquisadas, a taxa
está negativa em 1,4% ao ano.
A decisão do BC sobre a taxa
de juros também influencia a rentabilidade da caderneta de poupança. Cálculos
da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e
Contabilidade (Anefac) apontam que, com os juros básicos atualmente em 14,25%
ao ano, as aplicações em renda fixa, como os fundos de investimento, ganham
mais atratividade e ganham da poupança na maioria das situações.
A poupança continua atrativa
somente para fundos com taxas de administração acima de 2,5% ao ano.
Isso ocorre porque o rendimento
dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das
cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como atualmente,
está limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).
Neste ano, por conta do baixo
rendimento e do cenário de recessão na economia brasileira, a poupança já
perdeu mais de R$ 38 bilhões - um recorde para os cinco primeiros meses de um
ano.