Alexandro Martello Do G1, em Brasília
A equipe econômica do governo
federal impôs uma redução de 23,7% nos gastos do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) até abril deste ano. A medida faz parte de uma série de
tentativas para equilibrar as contas públicas em 2015 e foi aplicada por
decreto presidencial publicado em edição extra do "Diário Oficial da
União" desta quinta-feira (26).
É a primeira vez que há
redução nos gastos desde que o programa foi criado. O PAC está diretamente
ligado à imagem da presidente Dilma Rousseff, que foi apelidada de "mãe do
PAC" quando era ministra do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O decreto autoriza despesas de
até R$ 15,17 bilhões no PAC nos primeiro quatro meses deste ano. A queda é de
R$ 4,37 bilhões (23,7%) com relação ao mesmo período de 2014, quando foram
gastos R$ 19,91 bilhões, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional.
O governo
decidiu fazer um decreto temporário limitando
os gastos porque o orçamento para este ano ainda não foi aprovado pelo
Congresso, explicou mais cedo o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo
Saintive. A peça orçamentária ainda está sendo avaliada pelo Legislativo.
O secretário afirmou que não
se trata de corte de gastos. "Não significa contingenciamento. Mas o que
eles [ministérios e órgãos públicos] poderão decidir em termos de alocação de
recursos. [...] É um montante que poderá estar disponibilizado a estes
ministérios até abril", disse. Saintive afirmou que, caso haja a aprovação
do orçamento, será feita "uma nova programação" dos gastos do PAC.
Gastos com custeio
O decreto presidencial também traz limitação para gastos com custeio da máquina
pública no orçamento dos Ministérios. De janeiro a abril deste ano, foi
autorizada uma dotação de R$ 59,98 bilhões, o que representa queda de 7,5% (R$
4,87 bilhões) em relação ao valor gasto no mesmo período de 2014 (R$ 64,86
bilhões).
As chamadas "despesas
discricionárias" dos Ministérios, ou seja, que não são obrigatórias,
excluem gastos com sentenças judiciais e precatórios.
O decreto, preventivamente,
estabelece a possibilidade de o Ministro de Estado da Fazenda autorizar a
ampliação ou remanejamento dos valores constantes dos anexos, por ato próprio
ou delegação, a fim de permitir o tratamento de "situações excepcionais"
e que "requeiram atendimento imediato", informou o governo federal.
Compromisso da nova equipe econômica
A limitação de gastos faz parte da estratégia da nova equipe econômica para
tentar atingir a meta de superávit primário, a economia para pagar juros da
dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda, de 1,2% do PIB para
todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais) em
2015.
O esforço equivale a uma
economia de R$ 66,3 bilhões. Desse montante, R$ 55,3 bilhões correspondem à
meta para o governo e R$ 11 bilhões são uma estimativa para estados e
municípios. Em janeiro, contas do governo registraram superávit primário de R$
10,4 bilhões, o que representa 19% da meta anual. Porém, foi
o pior valor para o mês desde 2009.
Medidas já anunciadas
Para tentar atingir as metas fiscais, a nova equipe econômica já anunciou uma
série de medidas nos últimos meses. Entre elas, estão mudanças nos benefícios
sociais, como seguro-desemprego, auxílio-doença, abono salarial e pensão por
morte, que ainda têm de passar pelo crivo do Congresso Nacional.
Além disso, também elevou o
IPI para automóveis e tributos sobre a gasolina, operações de crédito e
cosméticos. O Ministério do Planejamento, por sua vez, anunciou a redução dos
limites temporários de empenho para gastos no orçamento de 2015 e, mais
recentemente, o bloqueio de restos a pagar de anos anteriores.
No mês passado, o secretário
do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, havia confirmado que não haverá mais
repasses do governo ao setor elétrico, antes estimados em R$ 9 bilhões para
este ano, o que deverá elevar ainda mais a conta de luz, que pode ter aumento
superior a 40% em 2015.