Prestes a completar o seu
primeiro ano como chefe do Poder Executivo norte-rio-grandense, o governador
Robinson Faria (PSD) é detentor de alto índice de rejeição junto aos
mossoroenses. De acordo com enquete realizada ontem no programa Comando Geral,
apresentado pelo jornalista Jota Nobre (Rádio Difusora de Mossoró), 74% dos
entrevistados pela emissora reprovaram a administração Robinson Faria em
Mossoró.
A sondagem ouviu 65 pessoas na
segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, deste total 48 mossoroenses se
posicionaram pela reprovação do governo do Partido Social Democrático, instalado
em 1º de janeiro deste ano. Com base na pergunta “Você Aprova ou Reprova a
Gestão do Governador do RN, Robinson Faria”, apenas 16 mossoroenses aprovam a
gestão, o que em termos percentuais representa 24% dos ouvintes entrevistados
pelo programa Comando Geral. Ainda em relação à enquete, um ouvinte preferiu se
abster de responder ao questionamento.
O resultado da sondagem revela
o descontentamento de grande parte dos mossoroenses em relação à administração
do governador Robinson Faria na segunda cidade mais importante do Estado. Nas
eleições do ano passado, Mossoró foi fundamental para que o então “azarão”
Robinson Faria fosse levado ao segundo turno. Na segunda etapa da eleição geral
de 2014, o então candidato anunciava em palanque que Mossoró seria uma de suas
prioridades administrativas. Fazendo um retrospecto do primeiro ano de gestão,
as relações entre o governador Robinson Faria e Mossoró é de relações
estremecidas, ou como classificou o jornalista e marqueteiro político Neto
Queiroz, a relação entre o Estado e o município assemelha-se a um casamento que
está na iminência de ser rompido. “Tornou-se artificial, desconfiada,
aparência. A cidade que Robinson dizia ter sido a responsável pela sua vitória
em 2014 e a quem muito devia, hoje é uma pedra no sapato que traz desconforto e
que é evitada”, analisou Queiroz.
Já o jornalista Jota Nobre,
responsável pela enquete de ontem da Rádio Difusora de Mossoró, entende que os
discursos de campanha do então candidato Robinson Faria, dizendo que seria o
“gestor da segurança pública” influenciou decisivamente o eleitorado não apenas
de Mossoró, mas de todo o Rio Grande do Norte. De acordo com a opinião do
jornalista Jota Nobre, os índices de violência semelhante aos anos anteriores,
terminou por gerar uma decepção entre os eleitores de Mossoró.
“Eu acredito que a crise em
nível nacional afeta o Rio Grande do Norte e isso deve sim, ter influenciado na
opinião dos mossoroense, mas eu credito ainda ao fato dele ter prometido que
seria o governador da segurança”, argumentou o jornalista Jota Nobre ao ser
entrevistado pela editoria de Política da GAZETA DO OESTE na tarde de ontem.
Passado quase um ano de sua
posse como chefe do Poder Executivo norte-rio-grandense, poucas foram as
visitas de Robinson Faria a Mossoró, cidade que não apenas credenciou o seu
desembarque no Governo do Estado, como também dizia que seria a sua prioridade de
gestão.
Como se não bastasse a
ausência do chefe do Executivo da cidade que ele próprio dizia que assegurou o
seu desembarque no governo estadual, um débito existente entre o Estado e a
Prefeitura de Mossoró na área da saúde mostra o desinteresse do Executivo em
relação à cidade. Outro episódio emblemático foi a greve da Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte (UERN). A única instituição de ensino superior de
responsabilidade do Estado foi, na gestão Robinson Faria, alvo da maior
paralisação em toda a sua história. Sem abrir canal de diálogo com a categoria,
o governo deixou professores, servidores e estudantes da Uern de “molho”
durante cinco meses. Ao final deste prazo, em uma atitude questionável sob o
ponto de vista da democracia, ingressou com ação pedindo a ilegalidade da
greve.
Sem recursos do Fundo
Previdenciário, prognóstico para de 2016 para o Governo do Estado é sombrio
Um problema que espera o
governador Robinson Faria no próximo ano é a determinação judicial para que o
Poder Executivo devolva todos os recursos sacados do Fundo Previdenciário do
Rio Grande do Norte.
A decisão estabelece um prazo
até 31 de dezembro de 2016 para que os recursos sejam realocados no fundo.
Recentemente, um relatório de auditoria elaborado pela equipe técnica do
Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) aponta
irregularidade nos saques realizados pelo governo estadual no Fundo
Previdenciário do Rio Grande do Norte.
A Lei Complementar Estadual
526/2014, segundo analise técnica do Tribunal de Contas é ilegal por não
observar as legislações estaduais e a federal sobre o assunto específico o
texto do relatório diz ainda que mesmo que a retirada dos recursos fosse
considerada legal, a própria legislação só autorizaria a retirada de dinheiro
até maio de 2015.
O Tribunal de Contas do Estado
desde o primeiro saque que observa a atitude do governo em relação ao assunto.
O TCE aprovou, em sessão realizada em maio, a realização de uma auditoria para
apurar a legalidade da Lei Complementar 526/2014, que autorizou a unificação
dos fundos previdenciário e financeiro do Regime Próprio de Previdência Social
do Estado. O pedido de investigação foi feito pelo procurador-geral do
Ministério Público de Contas, Luciano Ramos, no dia 7 de abril.
A investigação sobre o uso dos
recursos do Funfir tem por base o Procedimento Preparatório instaurado pelo MPC
no dia 9 de janeiro, através de uma representação apresentada pelo Fórum
Sindical, entidade que reúne diversos sindicatos de trabalhadores estaduais.
Segundo MPC, a resposta ao oficio encaminhado ao Governo do Estado, na época do
procedimento, chegou ao Tribunal sem os devidos esclarecimentos.
Este mês, o Poder Executivo
sacou a última parcela do fundo. O objetivo era complementar o pagamento do 13º
salário de aposentados e pensionistas, pagos dia 14 passado. A retirada, cujo
valor foi de R$ 75 milhões, zera o saldo disponível do Fundo.
De acordo com o Instituto de
Previdência do Rio Grande do Norte, o que ainda existe disponível é apenas os
R$ 323 milhões aplicados em uma carteira de investimentos de longo prazo, junto
ao Banco do Brasil, que só poderão ser sacados em maio de 2016.
Ao todo, desde a unificação
dos fundos previdenciário e financeiro do Estado em dezembro passado, o
Executivo estadual fez 14 retiradas. Após o saque de novembro no valor de R$ 73
milhões, restavam igual valor, R$ 73 milhões, que somados aos juros no período
chegou ao montante sacado, no caso, R$ 75 milhões.
Gazeta do Oeste