O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou há pouco uma
resolução, válida já para as eleições de 2014, que proíbe que candidatos adotem
nomes de órgãos públicos ou autarquias em suas identificações eleitorais. A
proibição vale para qualquer órgão da administração pública, direta ou
indireta, a nível federal, estadual ou municipal, que não poderão mais constar
no nome de campanha usado pelos candidatos.
"Muitos candidatos se
apresentam com o nome de uma autarquia. O Joaquim da Petrobras, o João da UnB
(Universidade de Brasília), o nome de uma instituição", justificou o
ministro José Antonio Dias Toffoli, relator da matéria. Para ele, os candidatos
visavam tirar benefício eleitoral do vínculo com a entidade. "A pessoa usa
(no nome eleitoral) uma instituição que tem um reconhecimento social".
O Plenário do TSE analisou
nesta quinta-feira, 27, três instruções que traçam regras para as eleições de
2014. Esta era a última sessão da Corte eleitoral para que normas discutidas
tenham validade já para o pleito deste ano. Podem ser apresentados recursos às
determinações. Somadas às normas adotadas no ano passado, o TSE aprovou um
total de nove resoluções que terão de ser respeitadas para 2014.
Na instrução que poderia gerar
maior impacto na disputa deste ano, o ministro-relator recuou e aceitou a
retirada do texto de um dispositivo que vetava doação indireta por parte de
pessoas jurídicas que sejam controladas, subsidiárias, coligadas ou
consorciadas de empresas estrangeiras. Dessa forma, fica mantida a norma atual
e esse tipo de doação, permitido.
Gilmar Mendes, que havia
pedido vistas na sessão de dezembro de 2013 que tratou do tema, argumentou que
a modificação poderia gerar "insegurança jurídica".
Toffoli disse que acataria o
posicionamento de Mendes por entender que não havia unanimidade na Corte sobre
a matéria. Lembrou, ainda, que o Supremo Tribunal Federal (STF) já analisa uma
ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que pede o fim das doações
por parte de pessoas jurídicas, o que, se aprovada, já daria conta do tema.
"De qualquer forma esse debate está colocado no Supremo", disse.
Outras modificações
Os membros do TSE aprovaram
nesta noite outras regras com validade já para 2014. Ficam proibidas as
ligações de telemarketing com gravações de campanha dos candidatos. O argumento
de Toffoli é que muitas ligações ocorrem tarde da noite ou mesmo de madrugada e
representam muitas vezes um inconveniente para o eleitor. Seguindo o aprovado
pelo Congresso na chamada "minirreforma eleitoral", um candidato
considerado inelegível ou que tenha renunciado à disputa só poderá ser
substituído na urna até 20 dias antes do pleito. O objetivo disso é evitar
casos como a da troca da candidatura ao governo do DF de Joaquim Roriz (à época
pelo PSC), com candidatura impugnada, pela da sua mulher, Weslian Roriz, a
cerca de uma semana do pleito.
Também foi estipulado um
limite de recursos em doações que um candidato pode receber de si mesmo -
agora, ninguém poderá direcionar para a própria campanha mais do que 50% da sua
renda. A justificativa do ministro relator é que há casos de candidatos que se
valiam da ausência de norma disciplinando esse ponto para tomar empréstimos de
bancos ou mesmo agiotas e, assim, abastecerem suas campanhas. "Muitos
candidatos pegam empréstimos com agiotas para custear suas campanhas e, se a
pessoa é eleita, o agiota vai atrás. Quem acaba pagando a dívida é o poder
público".
Fonte: O Estadão