A ideia
defendida pelo deputado é que com um cargo de dedicação exclusiva seria
possível melhorar a situação da falta de profissionais em áreas mais carentes
do Brasil. ”Hoje a carreira
médica é um tema da ordem do dia. O grande problema da saúde está na
distribuição do médicos. A Organização Mundial de Saúde recomenda um médico
para cada mil habitantes. No Brasil existem quase dois por cada mil habitantes.
São mais de 380 mil profissionais em atividade no país. Isso mostra que não há
uma deficiência no número de profissionais médicos. Somos o segundo país do
mundo em escolas de medicina, temos 160 faculdades. Só perdemos para a índia.
Temos regiões onde a média chega a mais de três médicos por mil habitantes. E
temos outras que não chega a um médico por mil habitantes”, explicou Jácome.
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Para o
presidente do Sindicato dos Médicos do RN, e da Federação Nacional dos Médicos,
Geraldo Ferreira Filho, há um problema na área de recursos humanos do setor
médico. “A saúde pública brasileira precisa tratar a sua força de trabalho mais
voltado para o sistema de dedicação exclusiva. Temos hoje uma somatória de
vínculos trabalhistas que compromete a prestação de serviços. Essa tem sido a
pregação do sindicato. Temos tentado uma política de gratificações agregadas
para que os profissionais se aposentem com essas gratificações”, disse.
O médico falou
ainda sobre uma proposta que pretende enviar para o Governo do Estado tratando
do Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos profissionais da área médica.
“Percebemos que há uma diferença entre os profissionais que trabalham no setor
público e no privado. No público, os salários para quem cumpre 20 horas é de
cerca de R$ 2.500. No setor privado é em torno de R$ 5 a R$ 6 mil. A Federação
Nacional dos Médicos tem trabalhado com o objetivo de salário de R$ 10 mil para
20 horas. Apresentamos a nossa proposta de piso salarial para o Governo do
Estado, para os profissionais que trabalham 20 e 40 horas, num horizonte de 3
anos para frente, para que os reajustes sejam feitos em 2014, 2015 e 2016”,
declarou Geraldo, informando que o valor sugeridos para o Estado é de R$ 6.405
até 2016.
A
vice-coordenadora do curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN), Marise Freitas disse que o entendimento de que o problema da
saúde publica do país é um problema médico está equivocado. “Nós temos que nos
posicionar. A sociedade tem a imagem de que o médico é o responsável pelo
sistema não funcionar. Temos uma população que esta envelhecendo e isso muda a
forma de atendimento. É preciso uma atenção maior e uma avaliação diferente”,
declarou.
IMPORTAÇÃO DE
MÉDICOS
Outro assunto
que entrou em discussão durante a audiência pública foi a importação de médicos
de outros países para suprir as necessidades do sistema brasileiro de saúde.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira Filho, essa
atitude não irá resolver o problema do país. “Isso tem escandalizado a
sociedade, pois os índices de reprovação deles são alarmantes, nas revalidações
de diplomas. O Governo não pode entregar a população nas mãos de quem não está
habilitando. Isso não é corporativismo. Os médicos estão defendendo a saúde do
povo brasileiro”, declarou.
O
vice-presidente do Conselho Regional de Medicina, Marcos Jácome também se
posicionou contra a importação de médicos. “É muito preocupante essa tentativa.
Temos a maior avalanche de escolas médicas. Somos uns dos maiores formadores
desses profissionais. O que acontece é uma falha na gestão da saúde publica e
no financiamento. São pontos gravíssimos que se não forem atacados de forma
técnica, não se vai resolver o problema existente em nossa saúde”, afirmou.
Segundo Marcos
Jácome, o Conselho Federal e os Estaduais devem ser legistas, ou seja, na
legislação brasileira é possível importar médicos, desde que, obrigatoriamente,
ele seja avaliado pelo país, através de uma Universidade Federal, onde
proporcione uma avaliação do currículo da instituição em que ele se formou,
fazendo a compatibilidade com a nossa. Além do idioma, pois ele vai atender
brasileiros e por isso deve falar português”, declarou.
PROVAB
O adjunto da
Secretaria Municipal de Saúde, o médico Ion Andrade falou sobre o Programa
de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), no qual médicos
atendem em periferias e no interior do Estado. “É um programa muito bem aceito
e tem tudo a ver com a carreira médica. Além de estarem exercendo a
atividade médica, eles vão crescer como cidadãos. Vão ter a oportunidade de
estarem mais próximos da população. Essa proposta converge com a ideia da
carreira médica. Não deixa de ser algo que reúne uma remuneração mais digna, um
vínculo. É uma espécie de situação laboratório. A bolsa que recebem é de R$ 8
mil, um salário digno que atraiu os médicos. É um trabalho dignificante”,
declarou.
O representante
da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), o médico Carlos Pinto afirmou
que desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1987, o debate sobre a
carreira médica já existia. “A palavra da gestão estadual é de total apoio ao
debate, que é salutar. Estamos no momento certo para acreditar que é possível
rever e alavancar a carreira médica e dos outros profissionais que compõem o
SUS”, declarou. Segundo Carlos Pinto, nos últimos dois anos o Estado teve avanços
no que se refere aos salários dos médicos, mas ele afirmou que ainda não são
suficientes.
Outras
informações
Assessoria de
Comunicação AL/RN
(84) 3232-5768