Informações foram repassadas em coletiva de imprensa na Secretaria de Segurança Pública do RN. Foto: Magnus Nascimento
A Polícia Civil do Rio Grande
do Norte (PCRN) anunciou a prisão de duas lideranças ligadas ao Comando
Vermelho no estado do Rio de Janeiro, apontadas como responsáveis pelo apoio
logístico e armado à facção em território potiguar. Investigações da Divisão
Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado indicam que os
criminosos estão ligados a assassinatos de integrantes de grupos rivais e à
cooptação de menores de idade para integrar a organização criminosa no estado.
O primeiro preso foi Jackson Matheus da Silva Moreira, conhecido pelos apelidos
de “Porcão” e “Professor”, apontado como braço armado do Comando Vermelho. Ele
estava foragido desde outubro de 2025 e foi capturado na madrugada da última
quarta-feira (20), no município de Macaé, no litoral fluminense.
Além da operação atual, “Porcão” também havia sido alvo da operação “Território
Seguro”, deflagrada no ano passado, mas não foi localizado pelas forças de
segurança naquela época.
A Polícia Civil afirma que o suspeito está envolvido em uma série de
assassinatos ocorridos entre junho e agosto de 2025 e atuava recrutando
adolescentes do Rio Grande do Norte para integrar a facção. “Ele era um
verdadeiro ‘coach’ da prática de homicídios. Nos áudios [obtidos pela PCRN],
revela que já havia matado mais de seis integrantes da facção rival.
Também era o responsável por cooptar adolescentes vulneráveis para integrar
essa organização criminosa”, explica a delegada da Deicor, Priscilla Guerra.
Na noite de quarta-feira, no Estádio do Maracanã, Edenilson Luiz Moura de Melo,
conhecido como “Chorão”, foi o segundo capturado. Ele estava foragido desde
maio de 2025. Segundo a delegada, o criminoso buscava refúgio no Complexo do
Alemão e atuava no apoio logístico do Comando Vermelho, favorecendo o envio de
armas e drogas do Rio de Janeiro para o Rio Grande do Norte.
O delegado-geral adjunto da PCRN, Herlânio Cruz, afirmou que o foco da atuação
de “Chorão” era captar recursos para a facção por meio do tráfico de drogas,
enquanto o armamento era direcionado às disputas territoriais. “São dois
criminosos com perfis distintos, mas com um nível muito alto na hierarquia da
facção no Rio Grande do Norte”, destaca.
A delegada Priscilla Guerra ressaltou a necessidade de manter operações
interestaduais para combater a influência de organizações criminosas no estado.
“Se a facção criminosa atua de forma interestadual, o combate também será
interestadual. Não importa se o investigado vai se refugiar em outros estados,
continuaremos monitorando cada um deles até definir o momento certo para
capturá-los”, declarou.
O diretor da Deicor-RN, delegado Joacir Lucena da Rocha, afirmou que operações
no Rio de Janeiro exigem planejamento complexo e, por isso, a cooperação com a
Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública fluminense continua sendo
fundamental. “A entrada nessas comunidades é muito complexa e requer grande
organização, pois envolve riscos tanto para os policiais quanto para a própria
comunidade. Então, é algo muito estudado para conseguirmos realizar uma captura”,
explica.
Os criminosos permanecerão temporariamente em presídios do Rio de Janeiro até
decisão judicial sobre a transferência para o Rio Grande do Norte. “Vamos
representar pelo recebimento desses investigados no Rio Grande do Norte. Assim
que houver autorização judicial, realizaremos o recambiamento”, completa a
delegada Priscilla Guerra.
As prisões de Jackson Matheus da Silva Moreira e Edenilson Luiz Moura de Melo
integram a “Operação Brasil Contra o Crime Organizado”. O titular da Secretaria
de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte,
coronel Francisco Araújo, ressaltou que a ação foi possível por meio da
integração das forças de segurança pública do Rio Grande do Norte e do Rio de
Janeiro, além do apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Tribuna do Norte

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