sexta-feira, 22 de maio de 2026

Polícia prende líderes de facção que atuavam no RN

Informações foram repassadas em coletiva de imprensa na Secretaria de Segurança Pública do RN. Foto: Magnus Nascimento

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) anunciou a prisão de duas lideranças ligadas ao Comando Vermelho no estado do Rio de Janeiro, apontadas como responsáveis pelo apoio logístico e armado à facção em território potiguar. Investigações da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado indicam que os criminosos estão ligados a assassinatos de integrantes de grupos rivais e à cooptação de menores de idade para integrar a organização criminosa no estado.

O primeiro preso foi Jackson Matheus da Silva Moreira, conhecido pelos apelidos de “Porcão” e “Professor”, apontado como braço armado do Comando Vermelho. Ele estava foragido desde outubro de 2025 e foi capturado na madrugada da última quarta-feira (20), no município de Macaé, no litoral fluminense.

Além da operação atual, “Porcão” também havia sido alvo da operação “Território Seguro”, deflagrada no ano passado, mas não foi localizado pelas forças de segurança naquela época.

A Polícia Civil afirma que o suspeito está envolvido em uma série de assassinatos ocorridos entre junho e agosto de 2025 e atuava recrutando adolescentes do Rio Grande do Norte para integrar a facção. “Ele era um verdadeiro ‘coach’ da prática de homicídios. Nos áudios [obtidos pela PCRN], revela que já havia matado mais de seis integrantes da facção rival.

Também era o responsável por cooptar adolescentes vulneráveis para integrar essa organização criminosa”, explica a delegada da Deicor, Priscilla Guerra.

Na noite de quarta-feira, no Estádio do Maracanã, Edenilson Luiz Moura de Melo, conhecido como “Chorão”, foi o segundo capturado. Ele estava foragido desde maio de 2025. Segundo a delegada, o criminoso buscava refúgio no Complexo do Alemão e atuava no apoio logístico do Comando Vermelho, favorecendo o envio de armas e drogas do Rio de Janeiro para o Rio Grande do Norte.

O delegado-geral adjunto da PCRN, Herlânio Cruz, afirmou que o foco da atuação de “Chorão” era captar recursos para a facção por meio do tráfico de drogas, enquanto o armamento era direcionado às disputas territoriais. “São dois criminosos com perfis distintos, mas com um nível muito alto na hierarquia da facção no Rio Grande do Norte”, destaca.

A delegada Priscilla Guerra ressaltou a necessidade de manter operações interestaduais para combater a influência de organizações criminosas no estado. “Se a facção criminosa atua de forma interestadual, o combate também será interestadual. Não importa se o investigado vai se refugiar em outros estados, continuaremos monitorando cada um deles até definir o momento certo para capturá-los”, declarou.

O diretor da Deicor-RN, delegado Joacir Lucena da Rocha, afirmou que operações no Rio de Janeiro exigem planejamento complexo e, por isso, a cooperação com a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública fluminense continua sendo fundamental. “A entrada nessas comunidades é muito complexa e requer grande organização, pois envolve riscos tanto para os policiais quanto para a própria comunidade. Então, é algo muito estudado para conseguirmos realizar uma captura”, explica.

Os criminosos permanecerão temporariamente em presídios do Rio de Janeiro até decisão judicial sobre a transferência para o Rio Grande do Norte. “Vamos representar pelo recebimento desses investigados no Rio Grande do Norte. Assim que houver autorização judicial, realizaremos o recambiamento”, completa a delegada Priscilla Guerra.

As prisões de Jackson Matheus da Silva Moreira e Edenilson Luiz Moura de Melo integram a “Operação Brasil Contra o Crime Organizado”. O titular da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte, coronel Francisco Araújo, ressaltou que a ação foi possível por meio da integração das forças de segurança pública do Rio Grande do Norte e do Rio de Janeiro, além do apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Tribuna do Norte

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