Barracas, manequins e mercadorias atrapalham mobilidade. Há relatos de aluguel e venda ilegal de vagas do espaço público. Foto: Magnus Nascimento
Quem circula pelo centro
comercial do Alecrim, na zona Leste de Natal, enfrenta um desafio que vai além
das compras: dividir espaço com barracas, mercadorias e até manequins que
ocupam espaço nas calçadas que deveria ser reservado para os pedestres. Em alguns
trechos, o passeio público praticamente desaparece, obrigando as pessoas a
caminharem pelo meio-fio, arriscando-se entre os veículos.
Para Suziely Santiago, acompanhante terapêutica de 24 anos, andar próximo aos
camelódromos é um desafio constante. Ela frequenta o bairro e relata que
precisa redobrar a atenção para desviar dos obstáculos. “Já cheguei a esbarrar
em uma banca na calçada. É tão difícil andar que, muitas vezes, desisto de
passar por algumas ruas”, afirmou. Ela destaca que, em períodos como Carnaval e
São João, a situação se agrava. “O espaço é minúsculo e as pessoas ficam se
esbarrando. Isso quando não tropeçam em produtos dos camelôs.”
A ocupação irregular das calçadas obriga os pedestres a disputar espaço entre
carros, o que aumenta o perigo, especialmente para idosos, crianças e
gestantes. “Já vi um idoso cair depois de tropeçar em produtos expostos no
chão”, relatou Suziely. Para evitar transtornos, ela diz que passou a planejar
seus trajetos antes de ir ao comércio. “Faço um mapeamento para saber
exatamente onde ir e evitar problemas.”
Representantes das lojas do bairro também reclamam da desorganização e falta de
fiscalização. “Qualquer pessoa acha que pode ocupar calçadas, vagas de
estacionamento e até áreas de acessibilidade”, reclama o presidente da
Associação dos Empresários do Bairro Alecrim (Aeba), Matheus Feitosa. Segundo
ele, o problema se agravou nos últimos anos. “A cada ano piora, especialmente
em períodos eleitorais.”
Feitosa também aponta prejuízos ao comércio formal. “Enquanto o cliente compra
mais barato na calçada, sem critérios, as lojas que pagam impostos deixam de
vender. Existe aluguel e até venda de vagas em espaços públicos, formando um
mercado informal”, denuncia o empresário.
Sem fiscalização, ele diz que a situação se agrava. “Às vezes parece que o
Alecrim nem existe. Não queremos ver o bairro se tornar um centro comercial
morto. Com orientação diária e fiscalização, já teríamos avanços.”
Feitosa sugere organizar os ambulantes, padronizar estruturas e garantir
acessibilidade, além da necessidade de reestruturar o Camelódromo. “O espaço
precisa ser reformado ou reconstruído para reduzir a ocupação das calçadas.”,
afirmou.
Procurada, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) informou que a
fiscalização é contínua e envolve diferentes órgãos. De acordo com o titular da
pasta, Felipe Alves, a responsabilidade é compartilhada com as Secretarias de
Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e de Mobilidade Urbana (STTU). “Essa
ocupação irregular se tornou uma questão cultural ao longo do tempo. As ações
são permanentes, com orientações e remoções em toda a cidade”, afirmou.
Ele reforça que estruturas como manequins nas calçadas são irregulares. “Não é
permitido por lei e não há possibilidade de regularização”, destaca. Além
disso, ele relembra que ocupar o passeio público já é, via de regra, ilegal.
Sobre a denúncia de cobrança por vagas nas calçadas, o secretário diz que se
trata de caso a ser investigado pela polícia e que há uma dificuldade na pasta
que gerencia. “Temos déficit de pessoal, o que dificulta uma atuação mais
contundente.”, declarou.
Como medida, a Semsur publicou uma portaria proibindo novas ocupações na região
e diz que vai intensificar a fiscalização. Também está sendo estudado um
projeto de reordenamento da área comercial do Alecrim, mas sem prazo previsto
para ser executado.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário