sexta-feira, 22 de maio de 2026

Comércio informal ocupa calçadas e toma espaço de pedestres no Alecrim

Barracas, manequins e mercadorias atrapalham mobilidade. Há relatos de aluguel e venda ilegal de vagas do espaço público. Foto: Magnus Nascimento

Quem circula pelo centro comercial do Alecrim, na zona Leste de Natal, enfrenta um desafio que vai além das compras: dividir espaço com barracas, mercadorias e até manequins que ocupam espaço nas calçadas que deveria ser reservado para os pedestres. Em alguns trechos, o passeio público praticamente desaparece, obrigando as pessoas a caminharem pelo meio-fio, arriscando-se entre os veículos.

Para Suziely Santiago, acompanhante terapêutica de 24 anos, andar próximo aos camelódromos é um desafio constante. Ela frequenta o bairro e relata que precisa redobrar a atenção para desviar dos obstáculos. “Já cheguei a esbarrar em uma banca na calçada. É tão difícil andar que, muitas vezes, desisto de passar por algumas ruas”, afirmou. Ela destaca que, em períodos como Carnaval e São João, a situação se agrava. “O espaço é minúsculo e as pessoas ficam se esbarrando. Isso quando não tropeçam em produtos dos camelôs.”

A ocupação irregular das calçadas obriga os pedestres a disputar espaço entre carros, o que aumenta o perigo, especialmente para idosos, crianças e gestantes. “Já vi um idoso cair depois de tropeçar em produtos expostos no chão”, relatou Suziely. Para evitar transtornos, ela diz que passou a planejar seus trajetos antes de ir ao comércio. “Faço um mapeamento para saber exatamente onde ir e evitar problemas.”

Representantes das lojas do bairro também reclamam da desorganização e falta de fiscalização. “Qualquer pessoa acha que pode ocupar calçadas, vagas de estacionamento e até áreas de acessibilidade”, reclama o presidente da Associação dos Empresários do Bairro Alecrim (Aeba), Matheus Feitosa. Segundo ele, o problema se agravou nos últimos anos. “A cada ano piora, especialmente em períodos eleitorais.”

Feitosa também aponta prejuízos ao comércio formal. “Enquanto o cliente compra mais barato na calçada, sem critérios, as lojas que pagam impostos deixam de vender. Existe aluguel e até venda de vagas em espaços públicos, formando um mercado informal”, denuncia o empresário.

Sem fiscalização, ele diz que a situação se agrava. “Às vezes parece que o Alecrim nem existe. Não queremos ver o bairro se tornar um centro comercial morto. Com orientação diária e fiscalização, já teríamos avanços.”

Feitosa sugere organizar os ambulantes, padronizar estruturas e garantir acessibilidade, além da necessidade de reestruturar o Camelódromo. “O espaço precisa ser reformado ou reconstruído para reduzir a ocupação das calçadas.”, afirmou.

Procurada, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) informou que a fiscalização é contínua e envolve diferentes órgãos. De acordo com o titular da pasta, Felipe Alves, a responsabilidade é compartilhada com as Secretarias de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e de Mobilidade Urbana (STTU). “Essa ocupação irregular se tornou uma questão cultural ao longo do tempo. As ações são permanentes, com orientações e remoções em toda a cidade”, afirmou.

Ele reforça que estruturas como manequins nas calçadas são irregulares. “Não é permitido por lei e não há possibilidade de regularização”, destaca. Além disso, ele relembra que ocupar o passeio público já é, via de regra, ilegal.

Sobre a denúncia de cobrança por vagas nas calçadas, o secretário diz que se trata de caso a ser investigado pela polícia e que há uma dificuldade na pasta que gerencia. “Temos déficit de pessoal, o que dificulta uma atuação mais contundente.”, declarou.

Como medida, a Semsur publicou uma portaria proibindo novas ocupações na região e diz que vai intensificar a fiscalização. Também está sendo estudado um projeto de reordenamento da área comercial do Alecrim, mas sem prazo previsto para ser executado.

Tribuna do Norte

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