O estudo, denominado Epicovid
2.0: Inquérito nacional para avaliação da real dimensão da pandemia de Covid-19
no Brasil, é coordenado pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e
encomendado à Universidade Federal de Pelotas. Em nota, o ministério destacou
que, até o momento, não existem estimativas nacionais sobre o impacto da doença
a longo prazo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 20% das
pessoas infectadas, independentemente da gravidade do quadro, desenvolvem
condições pós-covid.
A expectativa do ministério é
que o período de coleta dos dados dure entre 15 e 20 dias. A pesquisa usará
informações de 250 cidadãos de cada um dos municípios selecionados que já
fizeram parte das quatro rodadas anteriores do trabalho científico, em 2020 e
2021. Para isso, equipes de entrevistadores visitarão as residências para ouvir
os moradores sobre questões centradas em pontos como vacinação, histórico de
infecção, sintomas de longa duração e efeitos da doença sobre o cotidiano.
“Todos os participantes serão
selecionados de forma aleatória, por sorteio. Somente uma pessoa por residência
responderá ao questionário”, destacou a pasta, ao citar que, diferentemente das
primeiras etapas do estudo, na fase atual, não haverá qualquer tipo de coleta
de sangue ou outro teste de covid. Também participam da pesquisa a Universidade
Católica de Pelotas, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto
Alegre, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Entrevistadores identificados
Todas as entrevistas serão
realizadas pela empresa LGA Assessoria Empresarial, contratada pelo ministério.
“Os profissionais que farão o contato direto com os moradores para a coleta dos
dados receberam treinamento e estarão devidamente identificados com crachás da
empresa e coletes brancos com as marcas da UFPel, da Fundação Delfim Mendes
Silveira (FDMS) e da LGA”, destacou a pasta.
Para auxiliar com o processo
de divulgação e esclarecimento da população, as prefeituras das 133 cidades
envolvidas no estudo foram comunicadas do trabalho – por meio de suas
secretarias municipais de Saúde – e participaram de reunião online com o epidemiologista
Pedro Halla, coordenador da pesquisa, e integrantes do ministério. A orientação
é que, em caso de dúvidas, os moradores entrem em contato com as prefeituras.
A empresa LGA também pode ser
acionada através dos telefones (31) 3335-1777 e (31) 99351-2430. Informações
sobre o Epicovid 2.0 também estão disponíveis nos sites do Ministério
da Saúde e da Universidade Federal de Pelotas.
Primeiras fases
Entre 2020 e 2021, o
Epicovid-19 serviu para traçar um retrato da pandemia que auxiliou cientistas e
autoridades em saúde pública a compreender melhor os efeitos e a disseminação
do vírus no Brasil. Entre as principais conclusões, o estudo apontou que a quantidade
de pessoas infectadas naquele momento era três vezes maior que os dados
oficiais, com os 20% mais pobres tendo o dobro de risco de infecção em relação
aos 20% mais ricos.
Memorial
Em 11 de março de 2020, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) classificava o cenário de covid-19 no mundo
como uma pandemia. Quatro anos depois, também nesta segunda-feira, o Ministério da Saúde anunciou a criação de um memorial às vítimas da
doença que matou 710 mil brasileiros. O local escolhido, de
acordo com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, é o Centro Cultural do
Ministério da Saúde no Rio de Janeiro.
“Ao falarmos de um memorial e
de uma política de memória, porque é isso que estamos propondo, não
circunscrevemos a pandemia de covid-19 ao passado. Como todas as reflexões
sobre memória, sabemos do componente presente, político, das ações de memória.
E, ao mesmo tempo, lembramos que, a despeito de termos superado a emergência
sanitária, nós não superamos a covid-19 como problema de saúde pública”.
Agência Brasil

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